"A gestão prudente das finanças públicas é fundamental neste momento. Temos de gastar com aquilo que estreitamente importante e garantir transparência, um elemento que tem faltado nos últimos tempos nas estratégias do Governo", declarou Celeste Banze, economista da organização não-governamental Centro de Integridade Pública (CIP).

O Governo moçambicano reviu em baixa a previsão de crescimento económico de 4,8% para 2,2% num cenário pessimista e 3,8% num cenário otimista, anunciou na segunda-feira o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleine.

Para Celeste Banze, face ao impacto da propagação da Covid-19, era previsível a revisão das expectativas, principalmente no que diz respeito ao setor extrativo, que se espera que tire Moçambique da lista dos países mais pobres do mundo.

"Todas aquelas expectativas que tínhamos no último ano vão ter de ser revistas em baixa e esperar o que vai acontecer nos próximos três meses", afirmou Celeste Banze.

Também o pesquisador moçambicano Jorge Matine, do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), entende que o impacto da eclosão da Covid-19 altera todas as previsões de crescimento do país.

"Nós temos de reduzir a propagação e se os casos foram registados em Maputo, temos de garantir que as outras províncias não sejam afetadas. Teremos de obviamente rever o Orçamento de Estado ", declarou Jorge Matine, lembrando que o país é fortemente dependente da África do Sul no que diz respeito às importações.

Por outro lado, Jorge Matine alerta que com a situação de insegurança em Cabo Delgado, onde grupos armados têm protagonizado ataques desde outubro de 2017, aumenta a dimensão do problema, prevendo um atraso nos projetos de exploração de gás no norte de Moçambique.

"Isto tudo é muito mau para o investidor. Investir numa zona de risco implica ter custos operacionais adicionais. Passa a ser necessário ter atenção a segurança e isso significa mais custos", declarou o pesquisador.

Para o académico moçambicano Calton Cadeado, o impacto do encerramento das fronteiras como medida de prevenção para a Covid -19 será mais acentuada para os países menos desenvolvidos, como é o caso de Moçambique.

"Moçambique é mais importador do que exportador e obviamente isto vai ter um impacto mais penosos para nós. É verdade que todos os países vão sofrer, mas para nós será mais pesado porque nós não somos um país altamente industrializado e produtor do que consome", afirmou.

O número de infeções de covid-19 registadas pelas autoridades em Moçambique subiu de um para três, e há 39 pessoas que tiveram contactos com as três pessoas infetadas e que permanecem em quarentena domiciliária.

O Governo moçambicano reforçou as medidas de segurança no país, suspendendo a emissão de vistos de entrada e saída e encerrando as escolas para evitar a propagação da doença.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 400 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 18.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.