"O Reino Unido deu um passo atrás, dois passos atrás, três passos atrás em relação aos compromissos que assumiu no início", disse Michel Barnier em entrevista ao jornal britânico The Times, citado pela agência France-Presse.

Antes da retoma das negociações, na terça-feira, o diplomata francês referiu que a União Europeia se lembra "muito bem do que negociou com Boris Johnson [primeiro-ministro do Reino Unido]".

"Nós queremos simplesmente que seja respeitado. À letra. Caso contrário, não haverá acordo", advertiu o negociador da União Europeia.

O Reino Unido saiu oficialmente da União Europeia em 31 de janeiro, mas as regras europeias continuam a aplicar-se no território durante um período transitório que dura até ao final de dezembro, necessário para se alcançar um acordo comercial entre as duas partes.

As negociações devem ser retomadas na terça-feira, depois de um ciclo de negociações em meados de maio marcado pela ausência de progresso.

"O tempo urge", advertiu Michel Barnier, mencionando que qualquer prolongamento do período transitório deve ser pedido antes de julho.

No entanto, Londres tem-se mostrado inflexível: não admite prolongar as negociações para lá de dezembro, afirmou na quarta-feira o negociador britânico David Frost, colocando risco sobre a possibilidade de um não acordo potencialmente devastador para a economia.

Para Michel Barnier, o 'Brexit' é, de qualquer forma, uma situação de perda, mas caso não exista acordo, "isso terá ainda mais consequências que se juntarão às já muito graves da crise do novo coronavírus", apelando ainda à "responsabilidade comum" da UE e do Reino Unido.

É "do interesse das duas partes chegar a um acordo", mesmo que o Reino Unido tenha bem mais a perder no quadro de um "no deal" [não acordo] que a Europa, estimou o negociador europeu.

"Estamos muito menos expostos do que eles porque só 7% das nossas exportações vão para o Reino Unido, enquanto 47% das exportações britânicas têm como destino a UE", lembrou Michel Barnier.

Caso não haja acordo ou prolongamento das negociações, as trocas comerciais entre as duas partes seriam regidos pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), erigindo novas barreiras comerciais e causando custos avultados para as empresas importadoras dos dois lados, bem como atrasos nas fronteiras.

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