Em todo o Brasil, os governos dos estados e os autarcas estão a levantar, pouco a pouco, as medidas restritivas devido à pandemia. Algumas lojas estão fechadas há três meses.

No Rio de Janeiro, as feiras livres não deixaram de marcar presença em Copacabana, o bairro da cidade com mais casos registados e mais mortes por COVID-19.

Maria José vende hortaliças. Mesmo trabalhando, sente o efeito da pandemia no bolso. Pediu uma ajuda de emergência de 600 reais por mês, concedida pelo governo aos trabalhadores autónomos, informais e sem rendimentos fixos. Mas conseguir receber o dinheiro tornou-se, para muitos, um caminho cheio de obstáculos.

Além disso, a percentagem da população brasileira endividada passou de 38%, antes da pandemia, para 53%, neste momento.

Mais. Cerca de 40% dos brasileiros já tiveram uma perda total ou parcial de rendimentos durante a pandemia. Na última semana de maio, 28,6 milhões estavam sem trabalho. A economia consegue ficar parada ainda mais tempo, devido às incertezas da pandemia, pelo que a ajuda de emergência feito pelo estado brasileiro passou de três para cinco meses.

Thiago de Aragão, director de estratégia da empresa de consultoria Arko Advice, assessora de fundos estrangeiros que fazem investimentos no Brasil e na Argentina, aalega que estas medidas são necessárias, embora contrárias  à doutrina adoptada até então pelo ministro da economia, Paulo Guedes.

Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia prevê uma retoma mais lenta no Brasil que em 90% dos países afetados pela pandemia.

Thiago de Aragão acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil poderá cair 1,6 % no biénio 2020-2021, o pior resultado na América do Sul, depois da Venezuela. O pior é que a má gestão da crise sanitária e os conflitos políticos internos geram muita incerteza junto dos investidores estrangeiros.

Mas mesmo com este cenário sombrio, Thiago de Aragão vê motivos do optimismo a longo prazo. Segundo ele, as bases da economia brasileira são mais sólidas do que nos outros países da região

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