A consultora de gestão salientou, em comunicado, que a pandemia de covid-19 está a “expor todas as fragilidades da indústria dos serviços financeiros” e avisou que as perdas de crédito, para já avaliadas em 400 mil milhões, podem ascender aos 800 mil milhões, caso “aconteça um segundo confinamento global”.

Essas perdas, sublinha ainda a nota da Oliver Wyman, superam, em duas vezes e meia, todas as perdas de crédito registadas pelo setor bancário europeu “nos últimos três anos”, mas ficam aquém, em 40%, das perdas ocorridas durante a crise financeira global de 2008 a 2010 e igualam os números registados durante a “crise da zona euro de 2012-14″.

O relatório prevê ainda uma quebra de 30 mil milhões de euros nas receitas da indústria bancária europeia até 2022, estimando que 5% dos bancos apresentem problemas, com rentabilidades inferiores a 4% e rácios de solvabilidade inferiores a 12%, e que mais de metade se encontrem numa situação de “limbo”, com “capital suficiente para cumprir os requisitos regulamentares”, mas com “retornos fracos”, que são “vulneráveis a novos golpes de capital” – o relatório indica rentabilidades até 8% e rácios de solvabilidade superiores a 12% para tais casos.

A análise relativa à quebra das receitas bancárias detalha as estimativas até 2022 para os nove países analisados – França, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, Países Baixos, Suécia, Grécia e Portugal -, e estima, para o sistema bancário português, o terceiro valor mais alto de crédito malparado – de 11,7%, abaixo da Grécia (47,1%) e da Itália (13,2%) – e o terceiro mais baixo rácio de solvabilidade – 11,4%, acima da Itália (10,2%) e da Grécia (7,7%).

O relatório da Oliver Wyman aconselha ainda os bancos a fazerem “cortes significativos nos custos”, a reduzirem o “balanço” e a aumentarem as “equipas que lidam com clientes em situação de incumprimento nos seus empréstimos”, para terem a hipótese de sobreviver.

A consultora de gestão realça que a Europa deve encetar um “esforço coletivo”, com “apoio político de cima para baixo”, se quiser ter “um sistema bancário modernizado e resiliente”, que possa “apoiar as comunidades mais atingidas pela covid-19″ e “acelerar a transição verde”.

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