"Apesar de ainda ser cedo para poder avaliar de forma mais abrangente o impacto negativo do ciclone Idai, baixámos a previsão do crescimento homólogo do PIB deste ano para 3,5% em vez de 3,7%", disse à Lusa o economista-chefe do Banco Standard, Fáusio Mussá.

Em declarações à Lusa no seguimento da divulgação do Índice PMI (Purshasing Managers' Index), que mede a capacidade financeira das empresas de manufactura, o economista vincou ainda que "a previsão de inflação média de 12 meses este ano foi aumentada para 6,2% em vez dos 5,0%", ficando alinhadas com as perspectivas do Banco de Moçambique, que antevê uma subida dos preços entre os 6 e os 7%.

"As nossas previsões actualizadas reflectem um aumento dos riscos causados pelo impacto negativo do ciclone Idai, por pressões temporárias na liquidez em moeda externa e no câmbio e por eventuais pressões fiscais devido às eleições gerais que, até há pouco tempo, se mantiveram muito discretas", disse, apontando que "o Governo está a equacionar um orçamento rectificativo para acomodar os impactos do ciclone".

Na divulgação da evolução do Índice PMI, que melhorou de 50 pontos para 50,4 pontos, o Standard Bank explicou que a melhoria "não registou o impacto negativo do ciclone Idai, que atingiu as províncias de Sofala e Manica", onde "as inundações deixaram centenas de milhares de pessoas desalojadas, bem como infraestruturas gravemente danificadas em toda a região, e o número de mortes continua a aumentar"

Por outro lado, "as decisões finais de investimento relativas aos projectos de gás natural da bacia do Rovuma estão previstas para breve, o que vai contribuir para um sentimento positivo e apoiar a recuperação económica", apontou o economista.

O ciclone Idai, que devastou parte da costa do sudoeste africano a 14 e 15 de Março, deixou mais de 900 mortos em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui.

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