A revisão, feita pelos peritos do Banco Mundial no relatório ‘Perspetivas Económicas Globais”, divulgado hoje, representa uma melhoria de 0,1 e de 0,5 pontos percentuais relativamente às previsões feitas há 12 meses atrás para 2019 e 2020, respetivamente.

Apesar de manter a previsão para 2018 nos 3,3%, o documento refere que Moçambique sofreu com a redução do investimento direto estrangeiro em 40% nos países africanos e que afetou países vizinhos, como o Zimbabué ou Tanzania e também com a descoberta de dívida pública oculta.

“Em Moçambique, o rácio da dívida pública em relação ao PIB aumentou cerca de 50 pontos percentuais desde 2013, atingindo 102% em 2018, com os pagamentos de juros subindo de 2,6% das receitas para 16,5% no mesmo período. A deterioração foi acentuada por défices crescentes, uma vez que a política fiscal permaneceu folgada num cenário de preços das matérias-primas mais baixos e crescimento moderado, e foi agravada pela inclusão em 2016 de dívida comercial externa anteriormente não divulgada”, referem os economistas do Banco Mundial.

O resultado, constatam os peritos, é que “o país está em situação de contração de dívidas, e vários pagamentos a credores externos foram perdidos”, e o facto de ter agendadas eleições presidenciais e legislativas para outubro pode dificultar uma solução.

“A incerteza política e o simultâneo enfraquecimento das reformas económicas podem continuar a pesar sobre as perspetivas económicas em muitos países. Em países que realizam eleições em 2019 (por exemplo, Malaui, Moçambique, Nigéria, África do Sul), fatores políticos internos podem por em causa o compromisso necessário para conter os défices fiscais ou implementar reformas estruturais, especialmente onde os níveis de dívida pública são altos e crescentes”, avisam.

Apesar destes alertas, Moçambique mantém um crescimento económico acima da média da África Subsaariana, que em 2018 deve crescer 2,7%, uma revisão em baixa de 0,4 pontos percentuais face ao previsto em junho.

Este cenário reflete “uma expansão lenta nas maiores economias da região perante um crescimento moderado do comércio, condições financeiras restritivas e preços fracos para metais e produtos agrícolas”.

Espera-se que o crescimento regional atinja os 3,4% em 2019 e uma média de 3,7% em 2020-21, “dependendo da redução da incerteza política e mais investimento nas grandes economias, juntamente com um crescimento robusto contínuo em países com recursos não intensivos”, pode ler-se no documento.

O crescimento do rendimento per capita é deverá permanecer bem abaixo da média a longo prazo em muitos países, gerando pouco progresso na redução da pobreza.

Os principais riscos para os países africanos subsaarianos incluem, segundo o Banco Mundial, a “possibilidade de crescimento mais lento do que o projetado na China e na zona euro, novas quedas nos preços das matérias-primas, um forte aperto das condições de financiamento global, derrapagem fiscal, paralisação das reformas estruturais e conflitos”.