"Estas são situações que, a continuar, constituem um verdadeiro risco para as perspectivas que se traçam para 2020", disse Agostinho Vuma, presidente da CTA, numa sessão de balanço de 2019 e antevisão do próximo ano.

A título de exemplo, Vuma referiu que "nos últimos três meses, os transportadores de mercadorias e passageiros têm operado de forma retraída", em especial nos troços da zona Centro da estrada nacional 1 (EN1), principal via do país.

"Neste período, foram registados cerca de 15 ataques, tendo 11 sido direccionados a transportadores de passageiros, resultando em mortes e feridos, além do pânico que esta onda de violência origina", referiu.

Como consequência, há menos passageiros, regista-se "uma diminuição do fluxo de negócio dos transportadores de carga, resultando em graves prejuízos económicos e num deficiente abastecimento em produtos básicos aos mercados do Centro do país que dependem, maioritariamente, de mercadorias do Sul".

A situação prevalecente em Cabo Delgado, onde a violência acontece próximo das obras dos megaprojectos de gás natural, "é outra ameaça, não apenas à estabilidade do país mas, também, ao ambiente de negócios", acrescentou.

"Apelamos ao Governo", particularmente "ao Presidente da República, a usar de toda a sua capacidade para solucionar estes focos de violência que afectam o país, no seu todo, e o mundo de negócios, em particular", concluiu.

A violência armada em Cabo Delgado dura há dois anos e eclodiu em comunidades muçulmanas aparentemente radicalizadas, após atritos entre dirigentes islâmico locais.

Estima-se que pelo menos 300 pessoas já tenham morrido e que 60.000 habitantes tenham sido de alguma forma afectados.

No Centro do país, as armas voltaram a ecoar numa zona onde permanecem entrincheirados guerrilheiros da Renamo, que contestam o acordo de paz que o partido assinou com o Governo em Agosto.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.