Moradores naquela aldeia da província de Cabo Delgado relatam que o grupo entrou na povoação pelas 20:00, baleou mortalmente alguns residentes e incendiou inúmeras habitações, de construção precária.

A onda de violência na região que teve origem há dois anos em mesquitas radicalizadas já provocou cerca de 300 mortes e afecta 60.000 pessoas, obrigadas a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.

O levantamento do número de vítimas e prejuízos em Nsemo ainda decorre.

Dois funcionários nas obras de construção civil dos megaprojectos de gás disseram hoje de manhã à Lusa que os vários trabalhadores receberam ordens para não avançar para os locais onde deviam prestar serviço e aguardarem por novas instruções.

A aldeia de Nsemo pertence à localidade de Mute, posto administrativo de Palma, vila em cujas imediações está a ser construída a futura cidade do gás, um dos maiores investimentos privados de sempre em África, cujas previsões indicam que pode ascender a 50 mil milhões de dólares.

Os trabalhos de petrolíferas internacionais como Total, Exxon Mobil e Eni movimentam cerca de cinco mil trabalhadores, sobretudo em obras de construção civil, que incluem alguns empreiteiros portugueses.

Apesar dos contactos, a Lusa não conseguiu obter esclarecimentos nem das empresas investidores, nem das autoridades.

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