"O comunicado da Comissão Económica para África das Nações Unidas e o subsequente apelo do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial enfatiza a urgência de explorar opções para criar a muito necessária flexibilidade orçamental para os governos africanos e reduzir as pressões imediatas de financiamento", lê-se numa nota sobre o impacto do novo coronavírus nos países africanos.

Os analistas alertam que a situação “mostra a gravidade do impacto financeiro e macroeconómico do choque global trazido pelo novo coronavírus, que já está a ser infligido aos países africanos, e as pressões exercidas sobre os pagamentos da dívida no setor privado, que são incorporadas” nas análises de 'rating'.

"Apesar de o número de infeções com o novo coronavírus ser ainda consideravelmente mais baixo que noutros locais, está a aumentar, e para aumentar a propagação da pandemia que iria assoberbar os setores de saúde, geralmente menos desenvolvidos, e aumentar os custos orçamentais através de uma subida nas despesas de saúde, os governos fecharam fronteiras e impuseram isolamentos provisionais", lembra a Moody's.

A agência alerta, ainda assim, que tudo isto vai piorar a análise das condições macroeconómicas e financeiras daqueles países.

"O efeito combinado do fecho de fronteiras, perturbações no comércio global, declínio do preço das matérias-primas e a volatilidade dos mercados financeiros vai deteriorar as condições de crédito para muitos países africanos", avisam os analistas.

Na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) defenderam, com efeito imediato, um perdão da dívida oficial bilateral dos países mais pobres, entre os quais estão Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

“Com efeito imediato, e consistente com as leis nacionais dos países credores, o Grupo BM e o FMI apelam a todos os credores oficiais bilaterais que suspendam os pagamentos de dívida dos países [abrangidos pela] Associação para o Desenvolvimento Internacional (IDA, na sigla em inglês) que assim o solicitem”, lê-se num comunicado conjunto difundido em Washington pelas duas instituições financeiras internacionais.

“Isto vai ajudar os países da IDA com necessidades imediatas de liquidez a lidarem com os desafios colocados pela pandemia do novo coronavírus e dar tempo para uma análise do impacto da crise e sobre as necessidades de financiamento para cada país”, lê-se ainda no texto.

A IDA é uma instituição que funciona no âmbito do Banco Mundial com a missão de apoiar os 76 países mais pobres, entre os quais estão todos os países lusófonos africanos, à exceção de Angola e Guiné Equatorial.

Neste apelo de quarta-feira ao G20, o BM e o FMI apelam a estes países “que façam esta avaliação, incluindo a identificação dos países em situação de dívida insustentável, e preparem propostas para uma ação abrangente dos credores oficiais bilaterais sobre as necessidades de financiamento e de alívio de dívida nestes países”.

O grupo dos 20 países mais industrializados está esta semana a realizar um conjunto de reuniões no seguimento da pandemia da covid-19, tentando delinear um plano de ação conjunto.

“O FMI e o BM acreditam que neste momento é imperativo fornecer um sentimento global de alívio aos países em desenvolvimento, bem como um forte sinal aos mercados financeiros”, conclui-se no comunicado, que incidiu apenas sobre a dívida bilateral e não sobre a dívida emitida nos mercados internacionais e detida por investidores privados ou institucionais.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 22.000.

O continente africano registou até hoje 73 mortes devido ao novo coronavírus, ultrapassando os 2.700 casos, em 46 países.

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