Todos nós temos um dia, um mês ou até um ano que nos marca. Maio de 2016 foi a data em que, na altura, um menino de 18 anos, Renato Sanches, apareceu e tomou de assalto a designação de maior promessa de futebol europeu. Passados quatro anos, Renato passou de promessa a incerteza...

Sangue e formação 100% vermelhos

Renato Sanches, lisboeta e portador de passaporte de São Tomé e Princípe, fez toda a formação futebolística ao serviço do Sport Lisboa e Benfica. Começou no Águias da Mosgueira - onde residia com a família - entre 2006 e 2008, ano em que entrou para a academia do Seixal.

Foi com atletas como Renato que o Benfica criou a "marca" "made in Seixal". A partir de 2010, a "fornada" de jovens talentos formados nas águias, começou a pisar os terrenos adultos do Estádio da Luz. Em 2015/16, foi a vez de Renato Sanches se mostrar aos olhos do mundo do futebol.

A estreia como profissional foi a 30 de outubro de 2015. Renato tinha 18 anos, dois meses e 12 dias de vida. Rui Vitória, técnico na altura, lançou o menino português aos 75 minutos, para o lugar de uma figura emblemática do Benfica, Jonas. Uma semana depois, Rui Vitória voltaria a lançar Renato para a Liga Portuguesa, mas desta feita apenas ao minuto 90. Certamente, uma decisão polémica, mas que desencadeou um momento que levou Renato ao nível seguinte.

Um mês depois da estreia oficial com a camisola do Benfica, Renato entrou a titular frente ao Sporting Clube de Braga e do onze, não mais saiu. O Benfica viria a sagrar-se tricampeão e Renato terminou a época com 47 jogos oficiais, seis golos e uma assistência. Mal ele saberia que não voltaria a jogar pelo Benfica na próxima temporada.

Menino d´Ouro

Em ano de Campeonato da Europa (2016), Renato Sanches é chamado por Fernando Santos para a seleção nacional. Mas cerca de um mês antes do início da competição, o Bayern Munique não esperou pelo Europeu, evitando que o preço do jogador subisse, e pagou (no imediato) 35 milhões de euros pelo passe do jogador português. Foi revelado ainda que a transferência poderia chegar aos 80 milhões de euros, mediante objetivos, que nunca foram alcançados por Renato Sanches.

Em comunicado oficial, o Bayern Munique afirmou ter tido sorte em ter-se antecipado à concorrência internacional e caraterizou Renato Sanches de "dinâmico, combativo e talentoso". Renato pegou nesses elogios e levou-os na mala para França. Portugal sagrou-se campeão da Europa pela primeira vez na história, e Renato foi uma das peças mais importantes da seleção orientada por Fernando Santos.

Depois da conquista coletiva, seguiu-se um prémio de consagração pessoal. Renato Sanches sagrou-se o primeiro futebolista português a conquistar o prémio de "European Golden Boy" (Melhor Futebolista Jovem na Europa). Nem Cristiano Ronaldo havia conseguido tal consagração. Na altura, o madeirense foi batido pelo inglês Wayne Rooney, em 2004.

Bayern Munique

Renato Sanches chega ao Bayern Munique após um verão cheio de conquistas. Os prémios na bagagem não eram suficientes para os adeptos e colegas de equipa tirarem os pés do chão. Havia uma expetativa e cabia a Renato estar ao nível ou ficar aquém.

Empréstimo para esquecer

A primeira época foi, como se esperava, de adaptação. O médio português participou em 25 jogos oficiais, não contabilizando qualquer golo ou assistência. Os números não foram de encher o olho. Apesar disso, Renato ainda começou a época pelo Bayern Munique, mas os bávaros decidiram emprestar o médio português ao Swansea, da Premier League. Renato entrou na equipa inglesa, mas nunca se conseguiu impôr. A acrescentar às dificuldades táticas, o médio português contraiu uma lesão na coxa e não jogou na segunda metade da época.

Regresso a Munique

Depois de um verão em recuperação e fortalecimento da forma física, Renato voltou aos treinos do Bayern Munique. Com um novo treinador a bordo, Niko Kovač o jogador português ganhou novo alento. Renato Sanches realizou 24 jogos oficiais, marcando dois golos e três assistências. Números ligeiramente superiores ao ano de estreia, mas ainda insuficiente para convencer o técnico croata a apostar no médio português.

Niko Kovač é um admirador confesso das qualidades de Renato Sanches, no entanto, a irregularidade exibicional travou a vontade do técnico croata em apostar mais no português.

Falta de adaptação ou de aptidão?

Para quem acompanha o futebol alemão e mais especificamente, o Bayern Munique, na última década, adjetivos como frieza, eficácia e o termo da disciplina tática vêm à cabeça, quando pensamos no futebol dos bávaros. Desde 2013/14, com a chegada de Pep Guardiola ao Bayern Munique, podemos até acrescentar caraterísticas ao futebol praticado pelo Bayern. O método posicional, a importância do passe em movimentação constante ou até a chegada à baliza sempre em toque curto e nunca em jogo vertical. É verdade que Guardiola deixou o Bayern Munique em 2016, mas deixou cunho pessoal no futebol ainda hoje praticado.

Jogadores como Thiago Alcântara, o recém-chegado, Philippe Coutinho ou Javi Martinez, são jogadores dotados a nível técnico, quer no posicionamento tático, quer na qualidade de passe. Da forma como desequilibram o adversário, sem precisar de correr muito.

E em Renato Sanches, o que é mais caraterístico? Velocidade, resistência e transporte de bola. Os ingleses chamam-lhe de "box-to-box". E contrasta com o estilo de jogador procurado pelo Bayern Munique, para o meio-campo. Talvez a escolha de ir para o Bayern Munique, não foi a decisão certa, mas sim a possível.

Ressurreição?

À terceira época foi de vez e Renato abandonou o Bayern. Depois de várias entrevistas polémicas, revelando frustração e incompreensão quanto à condição de suplente, o médio português foi transferido para o Lille, atual vice-campeão francês. Custou 20 milhões de euros e assinou contrato até 2023.

Agora, e ainda com 22 anos, Renato volta a um cenário para mostrar o talento que em 2016, foi protagonista e deixou o futebol europeu rendido e fomento por um talento tão promissor. Foi campeão europeu em França e agora vai jogar na liga francesa... acredita em coincidências?

por:content_author: António Deus

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