O time de futebol americano Washington Redskins anunciou que vai mudar de nome, depois de receber muitas críticas que relacionavam o nome do clube (“peles-vermelhas”, em tradução livre) ao racismo.

Em um comunicado, a equipe disse que “está aposentando o nome e o logotipo dos Redskins após a conclusão de uma revisão” exigida por seus patrocinadores.

Seus principais patrocinadores recentemente ameaçaram retirar investimentos da equipe da NFL, principal liga do futebol americano, se o time não avaliasse a troca de nome.

A equipe de Washington enfrentou anos de pressão sobre um nome visto como ofensivo para os indígenas americanos.

Dan Snyder, dono dos Redskins, prometeu que nunca mudaria o nome da equipe de 87 anos – o nome foi definido em 1933, quando o time ainda tinha sua sede em Boston.

Pressão econômica

Mas, em meio a protestos contra a violência policial e o racismo, os principais patrocinadores da equipe – a FedEx, a Nike, a Pepsi e o Bank of America -, pediram a Snyder que avaliasse mudar o nome do clube.

Na semana passada, Amazon, Walmart e Target, Nike e outras lojas de varejo removeram produtos da equipe de seus sites. O canal de televisão ESPN também disse que deixaria de usar o logotipo do time, que retrata um homem nativo americano.

O anúncio não muda imediatamente o nome do clube. Um novo deve ser escolhido antes do início da temporada de 2020, em setembro. O site oficial da equipe mantém o nome atual, assim como o Twitter oficial.

Alguns nomes foram sugeridos como substitutos, como Washington Warriors e Washington Red Tails.

Jogador do redskins
Os principais patrocinadores do time, a FedEx, a Nike, a Pepsi e o Bank of America, pediram ao dono do time que considerasse mudar o nome do clube créditos: Getty Images

O time da NFL não é a primeira equipe de esportes de Washington a mudar seu nome em meio a mudanças de cenários culturais.

Em 1995, o Washington Bullets, da NBA, foi rebatizado como Wizards depois que o dono da equipe afirmou ter ficado incomodado com as conotações violentas do nome. Bullets pode ser traduzido como “balas” de armas de fogo.

Os Redskins se mudaram para Washington em 1937 e foram fundados pelo empresário George Preston Marshall, que acreditava na segregação racial.

O clube foi o último time a permitir jogadores negros, e só o fez depois que o governo ameaçou revogar o contrato de arrendamento em seu estádio, em 1962.

No mês passado, uma estátua de Marshall foi removida do terreno do estádio depois de ter sido vandalizada. O clube também disse que vai desmontar o Ring of Fame, um setor do estádio que destaca as contribuições de certos indivíduos à história da equipe.

Protesto
Em 2019, nativos americanos protestaram contra estereótipos indígenas usados por equipes esportivas nos EUA créditos: Getty Images

Qual é a reação?

Ray Halbritter, representante da Nação Indígena Oneida e fundador da campanha Change the Mascot (Mude o Mascote, em tradução livre), que defendia a mudança de nome e dos símbolos do clube, elogiou o anúncio feito nesta segunda-feira.

“Esta é uma boa decisão para o país — não apenas para os povos nativos — já que encerra um capítulo doloroso de desrespeito aos nativos americanos e outras pessoas de cor”, disse ele em comunicado.

“As gerações futuras de jovens nativos não serão mais submetidas a esse insulto ofensivo e prejudicial durante a temporada de futebol.”

“Já era hora”, tuitou a congressista Deb Haaland, do Novo México, uma das únicas mulheres nativas americanas no Congresso.

“Não deveria ser necessário um grande movimento social e pressão dos patrocinadores corporativos para fazer a coisa certa, mas estou feliz que isso esteja acontecendo”, continuou ela. “Muito obrigado a todos que fizeram suas vozes serem ouvidas.”

Os ativistas dizem que o nome da equipe de Washington é o mais ofensivo, em meio a outros nomes que também evocam os estereótipos sobre nativos americanos.

Atlanta Braves, Chicago Blackhawks e Kansas City Chiefs também são nomes de equipes que alguns ativistas esperam que sejam mudados, já que os Estados Unidos têm realizado uma espécie de “acerto de contas racial” após a morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco enquanto estava sob custódia.

Os Cleveland Indians, uma equipe de beisebol, também anunciaram uma revisão do nome horas depois dos Redskins.


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