"Estamos sentados no banco do passageiro e não temos o controlo nas nossas próprias mãos". Esta observação do diretor desportivo do Eintracht de Frankfurt, Fredi Bobic, numa reunião dos 36 clubes profissionais da Liga de Futebol Alemã (DFL), esta terça-feira (31.03), expõe com clareza o futuro incerto da Bundesliga.

Os dirigentes de futebol alemães concluíram que o requisito básico para retomar a temporada é uma desaceleração da pandemia de Covid-19, com uma diminuição de novas infeções pelo novo coronavírus.

Boa parte dos epidemiologistas prevê que as equipas futebol vão ter de jogar em estádios vazios durante muito tempo devido ao risco de infeção. O que seria economicamente impensável para muitos clubes poder+a ser a salvação para as equipes da DFL – pelo menos financeiramente.

Só as receitas televisivas representam, em média, um terço de todas as receitas dos clubes de futebol. Por esse motivo, todas as ações da liga são estreitamente coordenadas com os parceiros televisivos. Segundo o Relatório Económico 2020, divulgado pela Liga de Futebol Alemã, a DFL está a gastar um total de cerca de quatro mil milhões de euros com essas receitas.

Para a continuação da Bundesliga, equacionam-se os seguintes cenários:

Modelo da Liga dos Campeões da Europa: A temporada seguiria o modelo da Liga dos Campeões da Europa e decorreria num curto período de tempo, em locais fixos. A DFL deveria considerar uma série de locais em toda a Alemanha onde se poderiam agendar vários jogos no mesmo dia, informou o site "Sportbuzzer". Isto facilitaria, em particular, a logística para as equipas e minimizaria os gastos com pessoal nos estádios.

"Modelo rápido": Outra opção seria terminar a temporada ao longo dos nove dias restantes de jogos com a realização de 82 jogos num período de apenas 16 dias. Os jogos aconteceriam diariamente durante esse período e as equipas teriam de jogar de dois em dois dias. Essa variante só seria considerada se os jogos fossem retomados em junho e a temporada tivesse de terminar até ao dia 30 do mesmo mês devido aos vencimentos dos contratos dos jogadores.

Cancelamento da temporada: Se a Bundesliga não continuar até ao fim, haverá muito mais perguntas do que respostas. Fazendo uma avaliação a partir da tabela de férias de inverno, o RB Leipzig seria campeão alemão pela primeira vez. E se a temporada fosse cancelada e as mesmas equipas competissem internacionalmente na próxima temporada 2020/21, tal como nesta temporada? Aumentava-se temporariamente o número de equipas na primeira liga e na segunda liga para não haver competições sem os jogadores promovidos? O que não se pode esquecer é a perda de cerca de 770 milhões de euros para as equipas da DFL, relacionadas sobretudo com as receitas televisivas.

Advogados da DFL estão a avaliar as consequências jurídicas de um eventual cancelamento do torneio. Este cenário deve ser evitado em todas as circunstâncias, afirmou Karl-Heinz Rummenigge, dirigente do Bayern de Munique ao jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung". "Devemos definitivamente terminar esta temporada por motivos de justiça desportiva, mas, claro, também para reduzir os danos económicos ao menor nível possível", disse.

Modelo inglês: A Premier League, a liga profissional de futebol da Inglaterra, parece estar menos preocupada com a transferência do campeonato para o final de junho, segundo os media britânicos. Assim, o dia 1 de junho poderá ser definido como a data de reinício. A temporada seria disputada até meados de julho, o que ainda permitiria as férias de verão. Na Bundesliga, o início da temporada está marcado para 21 de agosto. Esse também poderia ser um modelo possível para a Bundesliga.

Crise como oportunidade?

Uli Hoeneß, antigo dirigente do Bayern de Munique, tenta tirar algo de positivo da atual realidade do futebol. "A situação atual é um perigo, mas também uma oportunidade de mudar um pouco as coordenadas”, disse em entrevista à revista de futebol "Kicker”.

Segundo Hoeneß, o ritmo de transferências de jogadores deve mudar. "A quantidade não vai atingir os níveis anteriores nos próximos dois ou três anos, porque todos os países estão a ser afetados. Provavelmente haverá um novo mundo do futebol", conclui.

por: Lorenz Schalling, kg

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