A contratação de Pia Sundhage como técnica da seleção brasileira feminina de futebol gerou grande repercussão na imprensa de seu país, a Suécia, nesta quinta-feira, 25 de julho, quando também seu nome ficou entre os assuntos mais comentados entre os suecos no Twitter.

Os véiculos de comunicação da Suécia exaltaram a técnica de 59 anos por sua trajetória de sucesso.

Ela esteve nas últimas três finais olímpicas – conquistou o ouro com a seleção dos Estados Unidos em 2008 e 2012 e a prata com a equipe da Suécia em 2016 – e foi eleita a melhor treinadora de futebol feminino pela Fifa em 2012.

Em 2011, foi vice-campeã com a seleção americana na Copa do Mundo do Japão.

Ao falar da indicação de Sundhage para comandar a equipe do Brasil, o país foi tratado como o “berço do futebol” pela mídia do país.

“Ela está fazendo história. Será a primeira treinadora estrangeira neste país louco por futebol”, disse o jornal nacional Dagens Nyheter.

Contrato de dois anos

Sundhage assumirá o posto que ficou vago com a demissão do técnico Vadão após a Copa do Mundo da França, em que a equipe brasileira foi eliminada nas oitavas-de-final.

Ela será a segunda mulher a comandar a seleção feminina de futebol: Emily Lima foi a técnica da equipe, entre 2016 e 2017.

De acordo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o contrato terá duração de dois anos, que podem ser renovados por mais dois.

A CBF disse em um comunicado que as negociações foram concluídas na última quarta-feira, 24 de julho.

Sundhage, que começou sua carreira no esporte como jogadora, era responsável pelo desenvolvimento da base da seleção sueca até então.

“A escolha da Pia reflete a nova dimensão que vamos imprimir ao futebol feminino no Brasil. A partir da sua chegada, desenvolveremos um planejamento totalmente integrado entre a Seleção Principal e a base, equilibrando objetivos de curto prazo, como Tóquio 2020, com a renovação contínua dos nossos talentos”, afirmou o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

‘Disse sim imediatamente’

O jornal Dagens Nyheter entrevistou Sundhage, que contou ter aceito a oferta sem pensar duas vezes. “Foi como quando consegui o posto nos Estados Unidos. Disse sim imediatamente”, afirmou ela.

“Claramente, alguém precisa liderar a melhor seleção do mundo nos EUA, e é a mesma coisa quando se trata de futebol e do Brasil. Então, disse sim imediatamente e negociei depois disso, por assim dizer.”

Sundhage afirmou que quer trazer à sua nova equipe “a cultura de vitória” dos Estados Unidos e as habilidades de organização da Suécia. O Brasil é um país que “respira futebol”, acrescentou ela.

“Eles têm jogadoras técnicas e explosivas que te surpreendem em campo. Isso é legal.”

A Sveriges Television, a emissora pública sueca, também falou com Sundhage após sua contratação. “Se você fala de futebol, geralmente fala sobre o Brasil”, disse ela.

“Sempre fui fascinada por sua técnica, explosão e soluções maravilhosamente surpreendentes no jogo.”

‘Uma mulher incrível’

Para o tablóide Daily Expressen, ela afirmou que vai manter o grupo de treinadores que atualmente trabalha com a seleção brasileira e pelo qual tem grande respeito.

Mas ela também trará uma pessoa com a qual se sente confortável, pois de outro modo ela estaria sozinha em um novo ambiente.

“Uau! Que coisa! “, disse o jornalista Kristoffer Bergstrom, do maior tabloide da Suécia, o Aftonbladet, em uma transmissão ao vivo no site da publicação.

“O Brasil é o futebol, eles são o berço do futebol, e agora essa incrível mulher chega e assume o comando. Será ótimo assistir.”

Sundhage é capaz de energizar as jogadoras, acrescentou Bergstrom, mas, no Brasil, ela também precisará trabalhar a defesa da equipe – e, para isso, pode precisar de ajuda.

“Mas, depois disso, se tratará de explosão e técnica. Ela tem de acordar o dragão e encorajar as brasileiras a se tornarem tão explosivas como elas têm capacidade de ser”, disse Bergstrom.

Bergstrom também falou com a própria treinadora, que disse que ela terá que aprender sobre novas músicas para tocar durante os treinamentos da brasileiras.

“Ela disse que, lá, Bob Dylan e Paul Simon podem não ser suficientes”, explicou ele.


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Escrito por: Matilda Welin - Da BBC News

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