Neste domingo (08.12), o Maxaquene precisa de ganhar ao Ferroviário de Maputo, terceiro classificado no Campeonato Moçambicano de Futebol (Moçambola), e esperar pelas derrotas de outros quatro aflitos para se manter na prova.

O jornalista desportivo da Rádio Moçambique, Adão Matimbe, não tem dúvidas de que esta equação não é favorável ao Maxaquene.

"Só uma hecatombe poderá tirar o Maxaquene da segunda divisão", avalia.

A despromoção do Maxaquene, que em 2020 faz cem anos, terá impacto negativo para o campeonato de 2020, segundo Adão Matimbe.

"Isto vai significar a retirada de uma grande franja de apoiantes do Maxaquene no Moçambola e o reduzir das receitas da própria Liga Moçambicana de Futebol que advém da bilheteira, advém das transmissões televisivas acima de tudo," considera.

As empresas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e os Aeroportos de Moçambique são as principais patrocinadoras do Moçambola e do Maxaquene.

"Elas também estão interessadas em ver o seu nome bem hasteado pelo Moçambola. Eu tenho receio que, embora a Liga Moçambicana de Futebol pague às Linha Aéreas [de Moçambique], estas também poderão reduzir o apoio que oferecem ao Moçambola para poderem oferecer o mesmo apoio à segunda divisão", pondera.

Histórico da crise

A crise no Maxaquene remonta a julho de 2018.

Na altura, explica o jornalista do jornal Desafio, Atanásio Zandamela, os patrocinadores condicionaram o apoio financeiro a uma candidatura à eleição do presidente do clube que não ganhou e as LAM cancelaram o patrocínio ao Maxaquene.

"Declararam voto ao candidato Nuro Americano que saiu derrotado. Na altura, foram claros: não iam tirar dinheiro, caso não ganhasse o candidato que queriam. Perdeu Nuro Americano e ganhou [Arlindo] Mapande. Desde lá, as LAM não tiraram nenhuma quinhenta para o clube e era o principal patrocinador", descreve o jornalista.

A época do Maxaquene em 2019 começou com estes problemas. Como forma de ultrapassar a crise, criou-se uma comissão de gestão.

O porta-voz da comissão, Miguel Vaz, assegurou que houve um encontro, esta semana, com os jogadores e a equipa técnica para o jogo de domingo.

"Já fizemos um trabalho preliminar com os jogadores, com técnicos e já houve a aparição dos patrocinadores a darem essa força," explica.

"O foco do nosso lado é de ganhar os jogos que temos pela frente. Não temos margem para mais nada que não seja ganhar os jogos e esperar pelos resultados de terceiros", considera.

Se o Maxaquene disputar a segunda divisão, terá a dura tarefa de reconstruir-se. Mas Miguel Vaz assegura que o clube vai regressar ao Moçambola em 2021.

"Poderá ser, de alguma forma, beliscado de poder estar numa divisão menor, mas isso não vai tirar aquilo que é o 'status' do Maxaquene a nível do panorama futebolístico nacional", conclui.

O Moçambola, o campeonato nacional de Moçambique, conta com 16 clubes - dos quais cinco descem este ano, subindo três - e, devido à crise financeira que abala o país, no próximo ano contará com 14 clubes.

por:content_author: Romeu da Silva

 

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.