O jogador de futebol Moussa Marega comentou o episódio de racismo do qual foi vítima numa entrevista à rádio francesa Monte Carlo. O avançado do FC Porto disse que recebeu mensagens de solidariedade de diversas pessoas e que conseguiu voltou a sorrir ao lado de seus familiares.

Marega conta que os insultos das bancadas iniciaram-se já no aquecimento para a partida, vindos de três pessoas que estavam na arquibancada. Depois, a sua percepção foi de que o "estádio inteiro” estava repetindo os gestos. O avançado disse que ficou surpreendido com a atitude dos adeptos:

"Foi uma grande humilhação para mim. […] Nunca julguei que algo deste género pudesse acontecer. Joguei no Vitória de Guimarães e sempre respeitei os adeptos e o clube. Tenho uma grande relação com eles. É uma cidade que me deu muito e um clube que me deu muito. […]. "Eu gostava que o jogo tivesse sido interrompido. Gostava que o árbitro tivesse outra atitude”, disse Marea em trecho da entrevista publicado pelo Diário de Notícias, de Portugal.

O jogador malinês conta que sua atitude em ter deixado o relvado surpreendeu aos seus próprios companheiros de equipa, que não compreenderam a sua reação, mas estavam chocados com o que estava a acontecer.

Marea disse na entrevista para a rádio francesa que nunca festejou golos que marcou contra o Vitória de Guimarães. Sobre o fato de ter festejado dessa vez, ele justifica: "foi porque me magoaram”. O avançado fez o gol da vitória do Porto contra o Vitória de Guimarães, num jogo disputado no domingo e que terminou em 1-2 para os visitantes.

Ministério Público investiga

O Ministério Público de Portugal abriu uma investigação sobre as manifestações racistas dirigidas ao atacante malinês Moussa Marega, do Porto, durante o jogo de ontem com o Vitória de Guimarães, no estádio D. Afonso Henriques, pelo Campeonato Português.

O jogador deixou o campo de jogo aos 26 minutos do segundo tempo, logo após marcar um golo, por ter sido xingado de macaco e de chimpanzé por torcedores da equipe da casa.

A abertura do procedimento da promotoria foi confirmada à Agência Efe por fontes do órgão. O Departamento de Investigação e Ação Penal de Guimarães, cidade localizada no norte de Portugal, será responsável pela investigação.

O episódio desencadeou uma cascata de reações em Portugal, tanto no mundo do desporto, como entre as autoridades políticas, que condenaram os atos da torcida no estádio D. Afonso Henriques e manifestaram apoio a Marega.

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, afirmou em comunicado que fará tudo o que for possível para que torcedores que "não respeitam o futebol" sejam banidos dos estádios.

por: com agências, mp

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