Um déjà vu de 38 anos... Liverpool e Flamengo vão disputar a final do Mundial de Clubes da FIFA, para coroar o novo campeão do mundo. Os "reds" e o "mengão" vão reeditar a final que os colocou frente a frente, em 1981. Na altura, o Flamengo de Zico, o histórico "camisa 10" da Seleção brasileira bateu o Liverpool de Kenny Dalglish, por 3-0.

Flamengo não tem o "deus" Zico, mas tem Jesus

O "mengão", como é conhecida a equipa do Flamengo, vai jogar a final da competição pela 2ª vez. Depois de um jejum internacional de 38 anos, a equipa do Rio de Janeiro voltou a vencer a Taça dos Libertadores da América, a "champions" para as equipas sul-americanas. Numa curta retrospetiva, o Flamengo de 2019, quando se olha ao espelho, reflete muito do Flamengo de 1981.

Há 38 anos, o Flamengo completou o "triplete", ao conquistar o Brasileirão, a Libertadores e a Taça Intercontinental e Continental [então Mundial de Clubes]. Nas fileiras brasileiras militavam jogadores como Leandro, Júnior e Zico, jogadores que fizeram parte da seleção brasileira eliminada do Campeonato do Mundo para a Itália, em 1982.

Para muitos amantes do futebol, a equipa comandada por Telê Santana ficou para a história como a "maior seleção" de sempre a jogar dentro das quatro-linhas.

Hoje, em 2019, o Flamengo começou a época a meio-gás, mas tudo mudou quando Jorge Jesus foi apresentado como treinador da equipa no dia 1 de junho. O técnico assumiu o comando do Flamengo a partir da 10ª jornada do Brasileirão, com a equipa carioca a seis pontos do líder, na altura, o Palmeiras. Ora, chegados a dezembro, Jorge Jesus e o Flamengo somaram:

  • 23 vitórias em 29 jogos para o campeonato;
  • maior pontuação de sempre (90 pontos);
  • melhor ataque (86 golos);
  • maior número de vitórias (28);
  • maior número de vitórias consecutivas (oito)
  • menos derrotas (3)
  • melhor média de golos (+53)
  • maior pontuação numa só volta (48 pontos)
  • campeão sem derrotas em casa
  • primeiro campeão com treinador estrangeiro

NOTA: registos desde o início do sistema de pontos corridos num campeonato com 20 equipas (2006).

"É o cara"

Se em 1981, Zico era a "bandeira" do Flamengo, hoje Gabriel Barbosa é “o cara”. O avançado assumiu o papel de protagonista da equipa brasileira. Aos 23 anos, Barbosa está emprestado pelo Inter Milão, de Itália, e finalmente completou uma época que faz jus ao apelido "Gabigol".

Terminou como melhor marcador do Brasileirão, com 25 golos e o maior artilheiro da Libertadores, com nove golos em 12 jogos. Ao todo, "Gabigol" soma 34 golos e 11 assistências, em 41 jogos oficiais esta época.

Liverpool de Klopp

O Liverpool de Jürgen Klopp está em "ponto rebuçado". Os campeões europeus vão jogar a quarta final de um troféu que nunca conquistaram.

Perderam duas finais que disputaram para equipas brasileiras: foram goleados pelo Flamengo por 3-0 em 1981 e derrotados para o São Paulo em 2005, 1-0.

No entanto, este Liverpool está forte. No campeonato, leva já dez pontos de avançado do 2º, o Leicester e 14 pontos sobre o maior rival direto e bicampeão, Manchester City, de Pep Guardiola. No início da época, conquistou a Supertaça Europeia frente ao Chelsea.

Em 28 jogos oficiais, o Liverpool venceu 21, empatou cinco e perdeu apenas dois.

Sociedade "Mané & Salah"

Deve haver poucas duplas africanas tão letais como a de Sadio Mané e Mohamed Salah. Juntos, o senegalês e egípcio já participaram em 42 dos 65 golos marcados pelo Liverpool esta época.

Apesar de menos concretizador, Roberto Firmino também entra nas contas, com cinco golos e nove assistências.

Jürgen Klopp e Jorge Jesus serão dois espetáculos à parte, nesta final. Extravagantes e sempe com as emoções à flor da pele, alemão e português vão tentar anular o jogo de parte a parte. Mas alguém leva vantagem?

Contrapressão vs. nota artística

Se do lado do Liverpool há Van Dijk - melhor jogador da Europa - a comandar a defesa, Henderson e Wijnaldum a ditar o ritmo de jogo, e Mané com Salah, a serem autênticas setas apontadas à balia adversária. Do lado do Flamengo encontramos a força e a resistência dos médios Arão e Gerson, a técnica de Everton Ribeiro, a velocidade de Bruno Henrique e a finalização de Gabriel "Gabigol" Barbosa.

Taticamente, as equipas apresentam-se de formas distintas. O Liverpool joga num sistema de 4-3-3, com Firmino a recuar quando a equipa está em processo defesa-ataque, atuando como um "falso 10". Já o Flamengo apresenta um esquema tático de 4-2-3-1, com dois médios defensivos e um número 9 solto na frente do ataque.

Quanto às dinâmicas, Klopp é fã da contrapressão, ou seja, a pressão imediata quando se perde ou recupera a bola. A equipa nunca reagrupa e ataca de forma imediata a baliza. Já Jorge Jesus sempre foi fã da nota artística, o que já lhe custou perder algumas finais importantes na carreira.

No entanto, é conhecido como um mestre da tática para muitos adeptos, como alguém que gosta de analisar o adversário a fundo e certamente irá trazer algo de novo para este jogo.

por: António Deus

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