55 dias depois, o futebol alemão recebeu "luz verde" para reiniciar a Bundesliga e a Bundesliga 2. Suspensa desde o dia 13 de março, devido ao surto do novo coronavírus, a Bundesliga é a primeira liga das "big-five" europeias a regressar. Mas, para já, nada será como antes do início da pandemia da Covid-19.

"A decisão desta quarta-feira (06.05) é uma boa notícia para a Bundesliga e para a Bundesliga 2". Estas foram as primeiras palavras de Christian Seifert, presidente do Comité Executivo da Liga Alemã de Futebol (DFL), referindo-se à decisão do Governo da Alemanha.

Num comunicado publicado na página oficial da DFL, o CEO da Liga Alemã não esconde a satisfação do regresso do futebol. No entanto, deixou um aviso, alertando que esta decisão traz "uma grande responsabilidade para os clubes e colaboradores", que devem "garantir a implementação dos requisitos médicos e organizacionais de forma disciplinada".

Aplausos aos políticos

O presidente executivo do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, também agradeceu ao poder político, salientando que "vai permitir que as decisões desportivas sejam tomadas no campo e não numa sala de reuniões".

"Faço um apelo a todos os envolvidos, para que sigam e executem as medidas decretadas, de forma exemplar e disciplinada", observou Rummenigge, através do site oficial dos bávaros, que lideram o campeonato com quatro pontos de avanço sobre o Borussia Dortmund.

O diretor-executivo do Dortmund, Hans-Joachim Watzke, enalteceu mesmo "a conduta magnífica do povo alemão no combate ao novo coronavírus", assegurando que o clube vai "fazer tudo o que for possível para garantir a segurança dos jogadores e das suas famílias".

Já o RB Leipzig, através do diretor-executivo, Oliver Mintzlaff, agradeceu a "decisão política", embora lamentando a inevitável ausência de público nas bancadas: "De forma a evitar um rombo ainda maior nas finanças dos clubes, jogar sem público é a única opção".

Público? Só em casa

Os jogos à porta fechada foram, desde logo, um ponto de partida obrigatório nas negociações para um regresso possível da Bundesliga. Christian Seifert reconhece a importância do público e da receita bilheteira para os clubes. No entanto, a receita dos direitos televisivos será a "únicao opção de preservar as ligas na forma em que as conhecemos".

Preocupado com a possível falência de alguns clubes se o campeonato não fosse retomado, o CEO da Liga Alemã agradeceu aos líderes federais a confiança depositada nos mesmos, ao aprovarem o regresso do futebol na Alemanha.

Salvação económica

Após intensas conversas durante várias semanas, no passado dia 23 de abril, a DFL celebrou acordos com quase todos os parceiros de comunicação social nacionais, no que respeita aos pagamentos expectáveis. A conclusão destas negociações permitiu à DFL fornecer liquidez a todos os clubes da Bundesliga e da Bundesliga 2, de forma gradual e em função da evolução da época, até ao dia 30 de junho.

No entanto, há um senão. Se a época não pudesse recomeçar ou voltar a ser interrompida, existem determinados mecanismos que conduzirão ao reembolso dos pagamentos, o que poderá trazer, uma vez mais, dificuldades económicas.

Plano de jogo

Para permtir o regresso do futebol profissional na Alemanha, a Liga e os clubes tiveram de se reiventar para abordar o jogo com uma "nova normalidade". A fim de garantir as condições de segurança necessárias para o regresso do campeonato, a DFL apresentou um plano obrigatório de orientações rigorosas em matéria de higiene, testes contínuos e monitorização à Covid-19 permanente.

Foi acordado entre todos os 36 clubes da primeira e segunda divisões um plano de cooperação de apoio médico especializado, com um total de cinco associações de laboratórios, que garantiram por escrito que as suas capacidades atuais são suficientes e que os testes Covid-19 dos jogadores da Bundesliga e da Bundesliga 2 não irão restringir ou limitar as capacidades de teste.

De acordo com o mais recente relatório do Instituto Robert Koch, o volume da capacidade de testes é atualmente de 818 mil por semana, com base nos dias úteis semanais. O futebol profissional irá absorver menos de 0,4% desse volume.

Outra medida implentada será a redução do número de pessoal nas áreas do desporto, da organização geral e dos meios de comunicação social durante os jogos. Na Bundesliga, estão previstas 98 pessoas dentro e à volta do relvado e 115 pessoas nas bancadas - o que significa um máximo de 213 pessoas no estádio. Em função do estádio em causa, está previsto um máximo de 109 pessoas, incluindo "stewards", para o exterior do recinto desportivo.

por: António Deus

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.