“A África do Sul é um ator imprescindível numa região que está a enfrentar uma variedade de desafios políticos e de segurança, por isso, vamos expandir a nossa cooperação em mateira de paz e segurança, especialmente através do apoio da UE à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral [SADC] e à missão militar em Cabo Delgado”, concretizou a porta-voz da Comissão Europeia Nabila Massrali, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas (Bélgica).

A decisão, explicou a porta-voz, surgiu na sequência de uma reunião bilateral do alto-representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, com o Governo da África do Sul, na última semana.

“A ameaça terrorista no Norte de Moçambique não foi totalmente eliminada e continua a preocupar-nos”, sustentou Nabila Massrali, por isso, o bloco comunitário vai reforçar o apoio a Maputo em coordenação com Pretória, nomeadamente através das missões de treino de militares.

Nabila Massrali recordou que em setembro do ano passado, Bruxelas aumentou o apoio à região de Cabo Delgado com um pacote de 15 milhões de euros para aquisição de “equipamento não militar”.

Na segunda-feira, Pretória anunciou uma reunião da SADC, a realizar-se hoje, para discutir a situação nos reinos da Suazilândia e Lesoto, assim como o conflito em Cabo Delgado.

A província está assolada por um conflito desde 2017 que aterroriza as populações. Grupos de rebeldes armados têm pilhado e massacrado aldeias e vilas um pouco por toda a província e uma variedade de ataques foi reivindicada pelo ‘braço’ do autoproclamado Estado Islâmico naquela região.

O conflito já provocou mais de 4.000 mortes (dados do The Armed Conflict Location & Event Data Projetct) e pelo menos um milhão de deslocados, de acordo com um balanço feito pelas autoridades moçambicanas.

Desde julho de 2022 que uma ofensiva militar de Maputo, com apoio do Ruanda e, posteriormente, da SADC, possibilitou um clima de maior segurança na região que não era sentido há anos, e recuperou localidades que estavam controladas pelos rebeldes, como a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde 2020.