A poucas horas do início do pleito eleitoral em Moçambique, a situação nos vários distritos da província da Zambézia é calma, embora permaneça alguma incerteza sobre como será o dia da votação, quando forem abertas as assembleias de voto.

Em várias regiões da província, tem havido relatos da circulação em algumas estradas de blindados pertencentes às unidades de intervenção rápida. "Os blindados são instrumentos de trabalho para os fazedores da paz", explicou António Paulo, do comando provincial da PRM na Zambézia.

Segundo o comandante, os blindados e as unidades de intervenção rápida que estão a circular na região não são para amedrontar nem para afugentar os eleitores, mas apenas para manter a ordem.

"Não há problema nenhum, estamos a fazer o trabalho normal para que as eleições ocorram num ambiente de paz e tranquilidade. Para eleições justas e transparentes, os votantes precisam de paz. Estamos a educar a população sobre aquilo que vai ser o seu comportamento", esclareceu.

MDM receia violência e RENAMO pede calma

Na véspera da ida às urnas, membros do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) recusam-se a trabalhar em algumas assembleias de voto por temerem atos violência.

"Os MMVs [membros de mesas de assembleias de voto] estão a negar estar em Quelimane por causa da violência que tem acontecido. Quando chega o momento da contagem dos votos, o número de polícias aumenta nos postos de votação e também aumenta a intimidação", explicou à DW África o mandatário provincial do MDM, Celestino Martins.

O mandatário da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), Ezequiel Gusse, pede à população para se manter calma: "Queremos apelar a calma aos nossos apoiantes, aos membros da RENAMO e ao público em geral. Como partido comprometido com a paz estamos a fazer o nosso apelo por todos meios disponíveis no sentido de evitarmos o pior."

"Processo já começou viciado"

Tanto o MDM como a RENAMO, os dois principais partidos da oposição, preveem muitas fraudes nessas eleições. "O processo já começou viciado, sublinha Celestino Martins, do MDM. "Remetemos as nossas listas de delegados em alguns distitos até às 12 horas de hoje, mas os presidentes das comissoes distritais andavam em sítios incertos e incontactáveis. É de propósito que os próprios órgãos eleitorais estão a fazer isso. Só os partidos da oposição não receberam as credenciais", conta.

Por seu turno, Ezequiel Gusse, da RENAMO, diz que "a comissão provincial e as respetivas comissões distritais na Zambézia não estão a desponibilizar as credenciais para os delegados de candidatura da RENAMO no distrito de Nicoadala". Segundo o mandatário, "as comissões distritais encontram-se encerradas e os respetivos presidentes não atendem as chamadas telefónicas."

Por outro lado, relata ainda Ezequiel Gusse, "as viaturas alugadas pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) com fundos do Estado estão a ser usadas apenas para transportar os membros das mesas de voto provenientes do concurso público e do partido FRELIMO, deixando de fora os de outros partidos com assento parlamentar, como é o caso da RENAMO e do MDM."

por:content_author: Marcelino Mueia (Quelimane)

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