"O número de violações de liberdade de imprensa tem crescido de ano para ano. Em 2018 foram reportados 23 casos, dos quais se destacam detenções, agressões, ameaças, assaltos e rapto de jornalistas", lê-se num relatório hoje divulgado.

São mais dois casos do que os 21 registados em 2017, nota o documento.

O relatório anual sobre o estado da liberdade de imprensa em Moçambique intitula-se "Liberdades encurraladas e sob cerco: mais um ano difícil e tímido para a democracia em Moçambique".

O estudo aponta "quatro fatores responsáveis" pela deterioração do ambiente de atuação dos meios de comunicação social.

Esses fatores são o conflito armado na província de Cabo Delgado, a crise financeira "provocada pela corrupção generalizada, cujos autores estão impunes, o que leva à impopularidade e perda de legitimidade governo", o aumento de "autoritarismo político" e ainda "o ciclo eleitoral em curso".

O relatório aponta também como os principais responsáveis pelas violações de liberdade de imprensa, os partidos políticos, membros do governo a todos os níveis e alguns gestores de entidades públicas e privadas.

Um dos casos destacados é o rapto e espancamento de Ericino de Salema, jornalista e comentador do canal de televisão STV, ocorrido a 27 de março.

"Todos os casos mediáticos de rapto, agressão e assassinato de pessoas pelo exercício de liberdade de expressão não são esclarecidos. Em 2016, o politólogo José Macuane foi raptado no centro de Maputo e baleado nos pés no mesmo local onde Ericino de Salema foi encontrado ferido", recorda o MISA.

Antes, em 2015, o constitucionalista moçambicano de origem francesa Gilles Cistac foi baleado mortalmente em Maputo após defender a proposta de descentralização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, oposição), sem que tenha alguém tenha sido responsabilizado pelo crime, conclui o MISA.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.