Relatos indicam que após violentos ataques de insurgentes contra Awasse e Miangalewa, ficou interrompida qualquer circulação rodoviária para Mocímboa da Praia e quando as carrinhas de passageiros retomaram no sábado, depararam-se com vários corpos, em número ainda por determinar.

“Os corpos estavam na estrada. Eram muitos corpos”, explicou Suanir Abibo, um dos passageiros que viajava na carrinha de transporte coletivo, e que  disse que o administrador de Mocímboa da Praia foi ao local  ver a situação.

Entre os corpos, relataram os moradores, estavam pessoas trajadas com a farda oficial das Forças de Defesa e Segurança, que suspeitam ser baixas do exército durante confrontos com os insurgentes.

Os corpos terão sido enterrados entre domingo e segunda-feira, de acordo com os moradores, depois que o administrador de Mocímboa, Assuede Falume, – que tomou posse a 30 de abril – visitou as aldeias de Awasse e Diaca.

As duas aldeias fazem parte das 11 atacadas por insurgentes entre 3 e 13 de maio, segundo revelou o ministro moçambicano do interior, Amade Miquidade, em conferência de imprensa na semana passada.

“Além dos corpos, na estrada, na zona de Diaca tivemos que remover troncos que barricavam a estrada. Só depois de chegarmos a Mocímboa da Praia é que outros carros começaram a circular”, acrescentou Abibo.

Outros moradores disseram à VOA que muitas pessoas continuam a deixar as aldeias nesta quarta-feira,  algumas para Nampula, outras para Montepuez e Pemba.

Os insurgentes continuam a controlar Miangalewa, onde estão acampados desde 1 de maio.

Moçambique enfrenta a insurgência islâmica há dois anos e meio, e em meados de abril, o Governo reconheceu que estava a sofrer uma “agressão externa perpetrada por grupos de terroristas” em Cabo Delgado, que já provocou pelo menos 1.100 mortos e mais de 200 mil deslocados.

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