A polícia antimotim moçambicana lançou gás lacrimogéneo perto de uma assembleia de voto para dispersar uma multidão que, durante a tarde, tentou atacar a casa de um dirigente político em Nampula, maior cidade do norte de Moçambique, disseram testemunhas à Lusa.

O incidente aconteceu depois de surgirem rumores sobre uma contagem paralela numa habitação junto à Escola Primária de Pea, no Bairro da Rex, mas a situação voltou à normalidade depois da intervenção da polícia.

A coligação de organizações não-governamentais (ONG) Votar Moçambique anunciou a detenção de dois presidentes de mesa de voto, apanhados em flagrante com boletins de voto extra, em Massinga, sul do país, e na Ilha de Moçambique, no norte.

Casos semelhantes foram relatados por observadores daquela plataforma em Angoche (norte) e Maganja da Costa (centro).

A coligação Votar Moçambique denunciou ainda casos de eleitores impedidos de votar em vários municípios e a ocorrência de diversos ilícitos eleitorais, mas atribuiu essas situações a "razões técnicas e ignorância da lei", afastando a hipótese de fraude organizada e generalizada.

Cerca de quatro milhões de eleitores estavam registados para escolher presidentes dos 53 municípios moçambicanos e respetivos membros de assembleias.

O diretor-geral do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) moçambicano anunciou que os resultados provisórios das eleições autárquicas deverão ser conhecidos na quinta-feira.