Em comunicado, a Unicef divulgou que 160 mil crianças menores de cinco anos estão a enfrentar uma crise alimentar e nutricional e de falta de alimentos, com uma expectativa negativa de que os números se agravem nos próximos meses.

“Estima-se que o número de crianças com menos de cinco anos de idade a enfrentar níveis de crise de insegurança alimentar aumente para 200 mil em áreas afetadas até fevereiro de 2020. Cerca de 38 mil crianças poderão ficar extremamente malnutridas e em risco de morte no mesmo período”, referiu a organização.

A agência das Nações Unidas considera que “a terrível situação é um resultado direto da devastação pelos ciclones Idai e Kenneth”, acrescentando que terão sido destruídos cerca de 780 mil hectares de plantações agrícolas.

O comunicado informa que a Unicef em Moçambique necessita de mais 68,5 milhões de dólares até maio de 2020, para o financiamento dos seus programas para crianças e mulheres, estimados num valor de 102,6 milhões de dólares.

Até agora, a Unicef reuniu 34,1 milhões de dólares para estes programas, precisando de reunir mais 67% do valor.

O comunicado refere que os esforços da Unicef consistem no tratamento de cerca de 10 mil crianças malnutridas com suplementos alimentares, no rastreio de 735 mil crianças menores de cinco anos para o risco de malnutrição aguda, com mais de 400 mil crianças a serem rastreadas até fevereiro de 2020.

A agência defende também a adoção de um programa de senhas alimentares para 100 mil pessoas afetadas pelos ciclones e subsídios para 10 mil agregados familiares para aliviar a insegurança alimentar.

A Unicef pretende apoiar iniciativas do Ministério da Saúde de Moçambique em brigadas móveis com serviços de saúde e alimentação integrados para chegar a comunidades com pouca acessibilidade.

Antes dos ciclones, que aconteceram em março e abril, já 43% da população moçambicana estava em malnutrição crítica.

“Como um dos países mais pobres do mundo, pobreza multidimensional significa que muitas crianças enfrentam condições que impedem o normal desenvolvimento físico e cognitivo”, salienta a Unicef, acrescentando que Moçambique voltou a ser afetado pela pelagra, uma doença associada à falta de vitamina B3 ou ácido nicotínico, com mais de 600 casos conhecidos.

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