Moussa Faki Mahamat discursava ontem na cerimónia de abertura da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, que decorre até domingo, na capital angolana, numa primeira edição.

Segundo Moussa Faki Mahamat, o conflito no Sahel, que descreveu como uma situação de barbaridade causada pelo terrorismo e extremismo violento, “que não deixa de ser uma ameaça à paz e segurança”, já foi abordado numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O responsável lamentou a situação atual em várias regiões do continente, nomeadamente no corno de África, sublinhando a recorrência de conflitos intercomunitários, instrumentalizados por grupos extremistas e jihadistas, através de uma xenofobia mortífera ao nível do continente africano.

“Tudo isso é uma ameaça grave à cultura da paz, de acordo com os parâmetros patentes na agenda 2063 e a Carta Africana”, referiu.

Para Moussa Mahamat, a primeira edição da Bienal de Luanda deve ser uma ocasião para se fazer uma avaliação do estado da paz em África e frisar os meios de cultivá-las neste fórum, que junta intelectuais provenientes dos vários países.

Como exemplos de paz, o presidente da Comissão da União Africana ressaltou os recentes acordos assinados em Moçambique e no Sudão, e o papel das mulheres na resolução de conflitos e promoção da paz no continente.

Audrey Azoulay, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que também discursou na abertura do evento, sublinhou que a cultura da paz “não é apenas a ausência de conflito” e tem de ser “alimentada”, focando vários desafios atuais como a competição pelos recursos, fundamentalismos religiosos e as alterações climáticas.

Os “mecanismos para proteger e paz nunca são suficientes”, salientou a responsável da UNESCO, destacando ainda que “não há paz sem debate plural e sem liberdade de imprensa”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.