“Começamos a pensar nas outras fases de recuperação e reconstrução”, referiu, mas o processo “devia ser mais rápido”, refere a secretária de Estado provincial.

Um ano depois do Idai, na província que inclui a cidade da Beira (maior centro urbano atingido), há 10% de salas de aula reabilitadas e 9% das unidades sanitárias têm garantia de financiamento para recuperação.

As autoridades moçambicanas estão a tentar ser expeditas nos processos administrativos e na elaboração de projetos, diz a secretária de Estado de província, para que haja desembolso por parte dos parceiros, aos quais também pede rapidez.

Um apelo para que os doadores “simplifiquem um pouco” os procedimentos quando há projetos e parcerias já conhecidas e de confiança.

Muitos fundos foram anunciados e acordados, mas “estão condicionados” a projetos e estudos e ainda vão passar por “um processo de licitação”, refere, quando questionada sobre queixas de comunidades de falta de apoio apesar das verbas divulgadas.

“Nem todo o fundo que foi dado está disponível”, resume – por outro lado, organizações no terreno confidenciam que as ajudas são dirigidas aos mais vulneráveis e, por isso, em cada comunidade há sempre quem fique de fora e se queixe.

Depois da fase de ajuda humanitária de emergência, os parceiros de cooperação prometeram cerca de 1.100 milhões de euros para reconstrução numa conferência de doadores realizada dois meses e meio após o ciclone.

No início de fevereiro deste ano, asseguraram ao Governo moçambicano o desembolso de 173,3 milhões de euros face aos projetos apresentados.

A falta de habitações condignas “é a questão pela qual mais clamam as populações, que querem estar protegidas. Não querem estar cobertas com lonas”, nota Stella Zeca.

“Já estão em zonas mais seguras, mas estão a viver em habitações precárias. É uma questão temporária”, garante, uma vez que já foi aprovada uma planta modelo e “paulatinamente vão ser construídas habitações resilientes”.

“A prioridade é construir habitações seguras para as famílias que foram reassentadas”, nas 72 zonas de realojamento criadas após os ciclones (Idai e Kenneth) de 2019 e onde o sistema das Nações Unidas e organizações não governamentais têm garantido apoio básico, alimentar e social, sublinhou.

Mesmo em zonas que já eram habitados há famílias “que já começaram a receber pacotes de apoio” - umas com materiais de construção, outras com casas completas, como é o caso de bairros periféricos da cidade da Beira, onde vive a maioria dos seus 500 mil habitantes.

No que respeita aos grandes projetos de infraestruturas para a cidade da Beira, com apoio de doadores, a proteção costeira e a instalação de sistemas de drenagem são as prioridades apontadas presidente do município, Daviz Simango - em linha com a secretária de estado provincial.

Urbe costeira, construída sobre terrenos conquistados a pântanos, ligeiramente abaixo do nível das águas do mar, a cidade depende do areal para estar separada das marés, mas um passeio pelo bairro da Praia Nova revela o grau de destruição.

Algumas barras que se prolongavam mar adentro, protegendo o areal da ondulação, foram quebradas em vários pontos.

“Há cerca de 65 milhões de euros disponíveis”, através de doadores internacionais, para a obra de reposição da proteção costeira começar a meio deste ano, refere o autarca.

“Porque é esta uma prioridade? Porque senão a cidade pode ser invadida e desencorajar investimento”, sublinhou.

Em 2021, já deverão existir várias obras para ver, concluiu.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas de dois ciclones (Idai e Kenneth) que se abateram sobre Moçambique.

O ciclone Idai atingiu o cento de Moçambique em março, provocou 603 mortos e a cidade da Beira, uma das principais do país, foi severamente afetada.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas.

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