O Cairo recebeu esta terça-feira uma cimeira de urgência da União Africana sobre a Líbia e o Sudão.

Segundo a presidência egípcia, os líderes africanos vão discutir “a evolução da situação no Sudão”, onde os protestos continuam depois de o Presidente Omar al-Bashir ter sido deposto pelos militares.

A União Africana vai tentar “estancar a crise” líbia, onde o general renegado Khalifa Haftar lidera uma ofensiva sobre a capital, Trípoli.

No Sudão, Omar al-Bashir foi destituído a 11 de Abril depois de mais de quatro meses de contestação popular, inicialmente motivada pelo aumento dos preços do pão e de outros bens essenciais.

Omar Al-Bashir, detido em Cartum, é alvo de dois mandados de detenção emitidos pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, cometidos durante o conflito em Darfur.

Os líderes africanos apelaram os militares no poder no Sudão a restituir o controlo do país aos civis no prazo de três meses. O padre comboniano José Vieira, que viveu no Sudão, considera que este pedido não vai resolver a situação que vive o país uma vez que “a sociedade civil tem em mente o que se passou no Egipto. Os militares no Egipto tomaram conta da revolução e o Presidente fez reformas constitucionais para se manter no poder até 2030″.

“Continuam a manifestar-se nas ruas de Cartum noutras partes de país e penso que é perigoso confiar nos militares porque o Presidente caiu, mas a elite que estava à volta dele só se renovou”, defendeu o padre comboniano.


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