"O compromisso da China em África supôs uma profunda transformação interna e também para a posição global do nosso continente", afirmou Kagamé.

O líder do Ruanda falava no Grande Palácio do Povo, o parlamento chinês, perante dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano, no arranque da terceira cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

A cooperação com a China reflete um "futuro comum" para a comunidade africana, disse Kagamé, destacando que o continente deve intensificar a construção de indústria, infraestruturas e estruturas de comércio, e colaborar mais nas matérias meio ambiente, segurança ou saúde.

"É tempo para que a China se levante também", afirmou Kagamé, apelando a que se promova a participação privada e se articulem as prioridades do continente.

O presidente da UA disse ainda que África deseja integrar a iniciativa "Nova Rota da Seda, projeto de infraestruturas internacional lançado pela China, assegurando que os "crescente laços [do continente] com a China não são construídos às custas de ninguém".

"A China demonstrou ser um parceiro que procura o benefício mútuo e um amigo sincero", disse.

Segundo a unidade de investigação China AidData, desde 2000, Pequim concedeu mais de 110.000 milhões de dólares (94.000 milhões de euros) em financiamento aos países africanos.

O país asiático é, desde 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, nos primeiros seis meses deste ano, o comércio bilateral aumentou 16%, em termos homólogos, para 98.800 milhões de dólares (84.600 milhões de euros).

O Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou hoje, na abertura da cimeira do FOCAC, um pacote de 60 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros) para países africanos, no formato de assistência governamental e de investimento e financiamento de instituições financeiras e empresas.

A cimeira conta com três novos países, incluindo São Tomé e Príncipe, que se junta aos restantes países africanos de língua portuguesa, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

As restantes estreias são o Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China.

O primeiro Fórum de Cooperação China-África aconteceu em Pequim, em 2006, e a segunda edição decorreu na África do Sul, em 2015.

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