"Não daremos um passo atrás, vamos empurrar o regime [sírio] para além das fronteiras que estabelecemos", disse Erdogan num discurso em Ancara, capital da Turquia.

Desde o início de fevereiro, pelo menos 17 soldados turcos morreram em confrontos com as forças governamentais sírias em Idlib, zona que está sob controlo de forças jihadistas e tropas rebeldes do regime sírio de Bashar al-Assad.

Além disso, vários postos de observação militar turcos, que Erdogan considerava protegidos pelos acordos feitos com o governo da Rússia, estão, de momento, rodeados por tropas sírias em áreas que passaram a ser novamente controladas por Damasco – a Rússia tem dado apoio às forças de Bahar al-Assad, na luta pelo controlo de territórios na Síria.

Erdogan, com esta decisão de não recuar em Idlib, entra num braço de ferro com a Rússia, antes de começar a negociar com o governo de Putin.

Novo epicentro do conflito que assola a Síria há quase nove anos, a província de Idlib é palco de um jogo de interesses entre a Turquia, que apoia grupos rebeldes, e o regime sírio, apoiado pela Rússia.

A ofensiva desencadeada pelo exército de Bashar al-Assad em dezembro, para recuperar a um reduto fortificado rebelde, causou uma catástrofe humanitária, com quase um milhão de deslocados numa estreita faixa de território junto à fronteira turca.

Neste contexto, o presidente Erdogan pressiona Damasco a retirar-se antes do final de fevereiro de algumas áreas de Idlib.

Sabendo que Ancara não pode usar o espaço aéreo controlado por Moscovo em Idlib, o presidente turco afirmou, igualmente, que uma solução será encontrada em breve, embora sem dar mais detalhes.

Estas declarações surgem em vésperas da chegada de uma delegação russa à Turquia, para uma nova ronda de negociações, para encontrar uma solução para a crise de Idlib.

A ofensiva do regime, apoiada pela aviação russa, gerou atritos entre Ancara e Moscovo que, apesar de terem diferentes interesses na Síria, reforçaram a sua cooperação nas últimas semanas.

Segundo o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, as negociações com a delegação russa começam esta quarta-feira à noite. "A prioridade para a Turquia é acabar com os ataques do regime" em Idlib, salientou.

Entretanto, num comunicado lido na televisão pública, o comando do exército sírio anunciou hoje que "recuperou o controlo" nos últimos dias de uma dúzia de localidades, tendo ainda reiterado a "sua determinação em libertar todos os territórios da República Árabe da Síria do terrorismo".

Na terça-feira, o regime recuperou a simbólica cidade de Kafranbel, uma das primeiras a se mobilizar contra Bashar al-Assad, em 2011.

Nas últimas semanas, o regime sírio recuperou cerca de metade da província de Idlib, controlada durante vários anos pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham, uma ex-facção síria da Al-Qaeda, e por grupos rebeldes.

Mais de 400 civis já morreram nesta última ofensiva do regime, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), e cerca de 900 mil estão deslocados, de acordo com a ONU. Entre os deslocados, 170 mil civis dormem ao ar livre ou em edifícios inacabados, devido à falta de lugar nos acampamentos já sobrelotados.

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