A decisão será anunciada pela magistrada Sagra Subroyen no tribunal de Kempton Park, arredores de Joanesburgo.

O julgamento do processo de fiança do ex-governante moçambicano e deputado da Frelimo, no poder desde 1975, havia sido adiado no passado dia 01 de Fevereiro devido a uma falha de energia eléctrica no edifício do tribunal.

Em 31 de Janeiro, o Ministério Público sul-africano voltou a rejeitar a liberdade sob fiança de Manuel Chang, a aguardar sob custódia desde 29 Dezembro extradição para os Estados Unidos da América por fraude e corrupção no âmbito das ´dívidas ocultas´.

"O arguido dispõe de muitos recursos consideráveis, com contas bancárias em todo o mundo, é um indivíduo que tem o luxo de viajar com um passaporte diplomático, que usa a sua posição para sua vantagem e que goza dessas regalias", afirmou a procuradora do Ministério Público sul-africano Elivera Dreyer.

"Não tem ligações à África do Sul, à excepção de uma conta bancária. A morada proposta no seu pedido de libertação de fiança é muito próxima da fronteira com Moçambique, é numa fazenda", referiu Elivera Dreyer para justificar a oposição do MP.

A defesa de Manuel Chang requere a libertação sob fiança do antigo governante pendente da sua extradição da África do Sul.

A audição sobre o pedido de extradição de Manuel Chang para os Estados Unidos começou no dia 5 de Fevereiro, numa outra sala do mesmo tribunal, onde o procurador JJ du Toit procedeu à entrega da documentação completa do pedido de extradição norte-americano, que deverá ser decidido no próximo dia 26.

A documentação original submetida pelos Estados Unidos às autoridades sul-africanas, assinada pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, encontrava-se selada com selo lacrado e fita dourada.

O governo moçambicano enviou no passado dia 4 de Fevereiro um pedido diplomático concorrente para requerer a extradição do seu ex-ministro das Finanças para Moçambique, afirmou à Lusa Zacarias Cossa, adido de defesa da embaixada de Moçambique na África do Sul.

Os EUA acusam Manuel Chang de conspiração para fraude electrónica, conspiração para fraude com valores mobiliários e lavagem de dinheiro.

Chang foi detido no Aeroporto Internacional O. R. Tambo, em Joanesburgo, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos em 27 Dezembro.

Manuel Chang foi ministro das Finanças durante a governação de Armando Guebuza (2005-2015).

Foi no mandato ministerial de Manuel Chang que o executivo moçambicano da altura avalizou dívidas secretamente contraídas a favor de três empresas públicas ligadas à segurança marítima e pescas, entre 2013 e 2014.

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