O tribunal continua a ouvir os arguidos, em sessões que decorrem desde 08 de outubro e que vão prosseguir nas próximas semanas, incluindo também outros intervenientes no processo, referiu Zacarias Napatima, citado hoje por órgãos de comunicação locais.

Cinco crimes pesam sobre os suspeitos: homicídio qualificado, posse de armas proibidas, associação para delinquir contra a organização do Estado, instigação ou provocação à desobediência coletiva e perturbação da ordem e tranquilidade pública.

Os ataques no norte de Moçambique já terão provocado pelo menos 100 mortos em zonas remotas da província de Cabo Delgado.

A violência foi desencadeada há um ano por grupos recrutados em mesquitas que defendiam a imposição de leis islâmicas e analistas ouvidos pela Lusa têm se dividido entre os que dizem haver ligações a crime organizado e terrorismo ou outras razões.

Entre outras causas apontam uma revolta popular face à pobreza, antigas disputas de território entre etnias ou ainda manipulação política, visando destabilizar Moçambique, numa altura em que petrolíferas investem em gás natural, em Cabo Delgado.

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) citou na última semana um procurador do Ministério Público, que pediu para não ser identificado, segundo o qual muitos dos réus agora a serem julgados foram torturados.

Os detidos acusaram os soldados de os manterem presos durante várias semanas antes de os entregar à polícia, fazendo uso de tortura para forçar confissões e, nalguns casos, matando suspeitos de insurgência desarmados no mato, referiu a HRW.