O Tribunal Provincial de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, espera ouvir entre cinco a dez pessoas por dia para apurar responsabilidades sobre a onda de criminalidade em comunidades rurais da região nortenha e em que já morreram cerca de 100 pessoas.

Os ataques foram desencadeados por grupos recrutados em mesquitas que defendiam a imposição de leis islâmicas e os analistas ouvidos pela Lusa têm se dividido entre os que dizem haver ligações a crime organizado e terrorismo ou outras razões.

Entre outras causas apontam uma revolta popular face à pobreza, antigas disputas de território entre etnias ou ainda manipulação política, visando destabilizar Moçambique, numa altura em que petrolíferas investem em gás natural, em Cabo Delgado.

Alguns acusados aguardam pelas sessões em liberdade, mas a maioria está detida, distribuída por três estabelecimentos prisionais junto a Pemba.

O Tribunal Provincial de Cabo Delgado promoveu a primeira sessão do julgamento, na quarta-feira, passando pelas três prisões, com o procurador do Ministério Público a ler, em cada uma, as acusações que recaem sobre os respetivos detidos.

Cinco crimes pesam sobre os arguidos: homicídio qualificado, posse de armas proibidas, associação para delinquir contra a organização do Estado, instigação ou provocação à desobediência coletiva e perturbação da ordem e tranquilidade pública.

Entre os acusados, a maior parte é moçambicana, havendo ainda tanzanianos, somalis e cidadãos naturais do Burundi e República Democrática do Congo, disse à Lusa fonte ligada ao processo - segundo a qual há 42 mulheres a ser julgadas.

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