"Recebemos orientação para voltar a trabalhar e disseram que a situação está controlada", disse um trabalhador de uma das empresas que falou sob anonimato por questões de segurança, e que perdeu uma embarcação e várias redes de pesca, todas incendiadas.

O ataque ocorreu na quarta-feira em Nsemo, quando homens armados com catanas e metralhadoras entraram ao fim do dia, pelo lado da praia, na península de Afungi, a poucos quilómetros das obras.

"Há algum receio, mas temos de trabalhar", explica outro trabalhador das obras, que também confirma que recebeu orientações para voltar ao trabalho.

A aldeia de Nsemo pertence à localidade de Mute, posto administrativo de Palma, vila em cujas imediações está a ser construída a futura 'cidade do gás', um dos maiores investimentos privados de sempre em África, cujas previsões indicam que pode ascender a 50 mil milhões de dólares (mais de 45 mil milhões de euros).

Num documento enviado hoje à Lusa, a Total, que lidera o consórcio da Área 1, em Cabo Delgado, disse que continua atenta à situação, considerando que a segurança dos trabalhadores é uma prioridade.

"Continuaremos a monitorar de perto a situação e a trabalhar com as autoridades competentes e outras partes interessadas para garantir um ambiente de trabalho seguro para os nossos colaboradores e para as comunidades locais", pode ler-se num comunicado da petrolífera.

A onda de violência na região que teve origem há dois anos em mesquitas radicalizadas já provocou cerca de 300 mortes na província de Cabo Delgado e afeta 60.000 pessoas, obrigadas a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.

Os trabalhos de consórcio petrolíferos liderados pela Total, Exxon Mobil e Eni movimentam cerca de cinco mil trabalhadores, segundo anunciado pelas empresas, sobretudo em obras de construção civil, que incluem alguns empreiteiros portugueses.

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