"As vítimas fatais ocorreram em dois locais diferentes, uma mesquita na avenida Deans e outra na avenida Linwood", ambas na cidade de Christchurch, informou o comissário da polícia Mike Bush.

A imprensa local revelou que houve, pelo menos, nove mortos e muitos feridos neste ataque contra a comunidade muçulmana.

"Quatro pessoas estão sob custódia, três homens e uma mulher", disse Mike Bush, acrescentando que foram encontrados engenhos explosivos nos veículos utilizados pelos suspeitos.

No momento do tiroteio, a mesquita Masjid al Noor, na avenida Deans, estava repleta de fiéis, incluindo a equipa de críquete do Bangladesh.

Segundo testemunhas, os jogadores conseguiram fugir para um parque que existe ao lado do prédio, localizado no centro da cidade. Um porta-voz da equipa confirmou que todos os jogadores, que estão no país para disputar um jogo, conseguiram escapar ilesos do ataque.

"Estão em segurança, mas também em estado de choque. Dissemos a toda a equipa para ficar confinada ao hotel", informou o porta-voz à agência de notícias AFP.

Entretanto, a polícia advertiu a população para evitar as mesquitas de todo o país, ao mesmo tempo que um enorme cordão policial está a isolar boa parte de Christchurch, cidade que fica na Ilha do Sul da Nova Zelândia.

O comissário Mike Bush adiantou ainda que todas as escolas de Christchurch estão fechadas e que a polícia pediu "às pessoas no centro da cidade que evitem permanecer nas ruas e informem sobre qualquer comportamento suspeito".

"A polícia restá a responder com o máximo da sua capacidade diante da situação, mas os riscos são extremamente elevados", acrescentou.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, já veio lamentar um dos "dias mais negros" da história do país, tendo em conta as "múltiplas vítimas" provocadas pelos ataques às duas mesquitas. "Ficou claro que este é um dos dias mais negros da Nova Zelândia. Claramente, o que ocorreu foi um ato de violência extraordinário e sem precedentes".

Segundo Jacinda Ardern, "muitas pessoas afetadas diretamente pelo tiroteio devem ser imigrantes, talvez refugiados, que escolheram a Nova Zelândia para seu lar".

O líder da oposição, Simon Bridges, manifestou publicamente o seu "apoio à comunidade islâmica" da Nova Zelândia. "Ninguém neste país deveria viver com medo. Não importa a sua raça ou religião".

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, também já prestou declarações sobre o sucedido, mostrando-se "horrorizado com as informações" sobre os tiroteios" no país vizinho.

Na mesquita de Masjid al Noor, um imigrante palestiniano, que pediu para não ser identificado, disse que viu um homem ser baleado na cabeça. "Escutei três tiros e, após uns dez segundos, tudo começou novamente. Devia ser uma arma automática, porque ninguém consegue apertar o gatilho tão rapidamente", contou à AFP.

Segundo testemunhas, "as pessoas saíram a correr" da mesquita, "algumas cobertas de sangue".

A Nova Zelândia é conhecida pela sua baixa taxa de criminalidade e, de acordo com o departamento de Estado dos Estados Unidos, nas orientações que dá a quem viaja para fora, o uso de armas de fogo para cometer crimes é algo raro neste país da Oceânia.