John Magufuli chegou ao poder há precisamente quatro anos, a 5 de novembro de 2015. Na altura, prometeu erradicar a corrupção e impulsionar a economia. Fora da Tanzânia, os observadores concentraram-se mais no histórico de Magufuli no setor dos direitos humanos, longe de ser perfeito. Organizações não-governamentais como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch publicaram vários relatórios sobre abusos contra a liberdade de imprensa e de expressão.

Políticos da oposição como Ally Saleh Alberto concordam com essas críticas: "Foram tomadas medidas duras, e essa situação não é saudável para a democracia do país. Se a situação não alterar, a oposição vai-se ressentir, e muito, nas eleições em 2020."

Uma perspetiva diferente

Mas Hoseana Lunogelo, especialista independente na área agrícola, diz que há quem tenha uma opinião bastante diferente sobre a atuação de Magufuli. Segundo Lunogelo, a abordagem do Presidente tanzaniano pode ser, em alguns casos, "demasiado radical", mas o chefe de Estado "está cheio de boas intenções".

"Muitos cidadãos são influenciados pela oposição, que diz às pessoas para não cooperarem com programas de desenvolvimento rural propostos pelo Presidente, dizendo que o Governo deve fazer tudo sozinho. Esse tipo de comportamento torna impossível para o partido no poder implementar as suas propostas", afirma o analista.

No que diz respeito à repressão da liberdade de imprensa, Lunogelo é cuidadoso, ressaltando que nada sabe sobre casos de jornalistas perseguidos. Ao mesmo tempo, enfatiza as especificidades da imprensa tanzaniana, com os seus muitos meios de comunicação e uma concorrência acirrada - "uma história de sucesso democrático", na opinião de Lunogelo - mas que levou alguns a publicar críticas infundadas e manchetes negativas sobre o Executivo.

"Acho que, a certo ponto, o Governo ficou preocupado com o perigo de eles poderem distorcer os factos, e isso seria contraproducente para os esforços de atrair investidores para a Tanzânia", afirma.

Balanço misto

Tanzanianos interrogados pela DW tecem críticas, mas também elogios ao Presidente. "Houve alguns avanços, por exemplo na administração pública. Agora, os funcionários trabalham melhor. Vai-se a uma repartição governamental e há quem pergunte se foi atendido. Isso não costumava acontecer", diz um cidadão ouvido em Dar es Salaam pela DW África. O economista Lunogelo afirma que o segredo do sucesso da luta contra a corrupção no setor público foi a digitalização da burocracia estatal. Atualmente, há acesso online a quase todos os requerimentos, por exemplo para abrir um negócio.

Outro cidadão sublinha que "ao nível das infraestruturas, é preciso reconhecer o trabalho do Presidente. Mas, quanto à economia, acho que nos estão a atirar areia para os olhos. Podem dizer que a economia está a crescer. Acho que é 7%. Mas, no terreno, os cidadãos estão a sofrer."

Lunogelo admite que isso possa acontecer nas zonas urbanas. No entanto, a população rural tem visto a sua vida melhorar significativamente nos últimos quatro anos. "Olhe para a castanha-de-caju, que é a principal cultura em quatro ou cinco regiões. Os preços no produtor duplicaram". Isto é fruto de novas regras, que forçaram os produtores a vender no mercado interno a preços fixos. Permitindo-lhes exportar produtos, as receitas aumentaram.

Melhorias na qualidade de vida

Algumas medidas de Magufuli granjearam-lhe reconhecimento não só dos cidadãos tanzanianos, como também de outros Estados africanos: o cancelamento de celebrações luxuosas do Dia da Independência para combater com esse dinheiro uma epidemia de cólera; a anulação do jantar oficial de abertura do Parlamento para comprar camas de hospital ou a proibição de viagens de governantes ao estrangeiro, excetuando do Presidente, do vice-Presidente e do primeiro-ministro, são apenas alguns exemplos.

Até os opositores aplaudem as medidas, de vez em quando. Tumaini Makene, porta-voz do partido da oposição Chadema, elogia as reformas no setor da educação: "Muitas pessoas têm agora acesso à educação, muito estudantes puderam registar-se", porque as propinas escolares foram reduzidas. Mas muito continua por fazer: "A educação não se baseia no número de estudantes registados, mas na qualidade da educação".

Em última análise, segundo o economista Lunogelo, quando a Tanzânia for a votos em outubro de 2020, os eleitores olharão sobretudo para o que mudou nas suas vidas. E 65% dos tanzanianos que dependem da agricultura para sobreviver já veem as diferenças: "Quando Magufuli chegou ao poder, 40% das pessoas tinham acesso a água potável a um quilómetro das suas casas, agora esse número aproxima-se dos 70%". Lunogelo diz ainda que o acesso à eletricidade quase duplicou. E foram disponibilizados fundos para estradas rurais, que ajudaram ao reforço das infraestruturas no interior. "Eu acho que é isso que irá convencer os eleitores nas zonas rurais a votar em Magufuli", afirma o analista, que acredita que o Presidente deverá conseguir uma vitória folgada nas próximas eleições.

por:content_author: Cristina Krippahl, Tulanana Bohela, Fredrick Nwaka, ac

 

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