O Conselho Autárquico da Beira, a capital da província de Sofala, centro de Moçambique, alega irregularidades no processo de distribuição de alimentos às pessoas afetadas pelo ciclone Idai. A denúncia foi apresentada esta quinta-feira (16.05) pelo vereador institucional José Manuel, da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), maior partido da oposição, durante uma reunião com os secretários dos bairros daquela urbe.

Os casos terão sido flagrados nos bairros da Munhava e Vaz. Segundo José Manuel, para receber os alimentos, os munícipes são obrigados a apresentar cartões que comprovem que são membros da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), o partido no poder.

Segundo José Manuel, o Programa Mundial de Alimentos (PMA), que lidera o processode distribuição de alimentos, é conivente com a situação. "O PMA está a ser conivente com o Governo da FRELIMO na divisão da comida entre as pessoas no município da Beira", diz.

"Essa comida está a ser usada para fazer política a favor do Governo. Por isso, queremos dizer que o PMA deve deixar de prestar ajuda neste processo aos munícipes da Beira. Há discriminação. A escolha dos munícipes é feita em função da cor partidária", acrescenta.

Residentes reclamam

A DW África ouviu duas residentes que lamentam a situação. "Algumas pessoas estão a receber as ajudas enquanto outras não. Muitas pessoas que constam das listas não estão a receber nada. O ciclone, quando chegou, chegou para todos", afirma Elisa Saize.

Aulina Timbe tem a mesma reclamação. "Quando chegam as listas, os nossos nomes não são chamados e aparecem outros nomes. Não sabemos onde foram inscritas essas pessoas, porque nós que fomos inscritos aqui nunca somos chamados. As pessoas que recebem os alimentos vêm de outras zonas como Manga, Vaz, Inhamuzua e Cerâmica", afirma.

Maurício Burtet, oficial de planificação do PMA, diz que o fornecimento dos alimentos está conforme as listas com os nomes fornecidos pelo Governo através do Instituto Nacional da Ação Social (INAS).

"A assistência do PMA não leva nenhum requisito partidário ou político. Nós fazemos a identificação dos beneficiários com base na coordenação com órgãos do Governo e as distribuições são feitas com base na identificação dos beneficiários, que podem apresentar uma carteira de identidade ou algum cartão de eleitor, porém sem nenhum vínculo partidário", explicou.

Por seu turno, a FRELIMO refuta as acusações alegando que são uma provocação. "A FRELIMO não tem nenhuma ligação com esse problema da distribuição dos alimentos. O que podemos dizer é que talvez se trata de uma provocação, porque nunca saímos à rua para fazer a distribuição de comida", afirmou à DW África Fernando Razão, primeiro secretário distrital do partido.

Desde a passagem do ciclone Idai, mais de vinte mil habitantes são assistidos com produtos alimentares de primeira necessidade na Beira.

por:content_author: Arcénio Sebastião (Beira)

 

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