Aproximadamente nove pessoas ficaram feridas, quando as forças sudanesas usaram munições reais para dispersar os manifestantes do centro de Cartum, a capital do país.

Um residente conta: "Vi seis feridos, um deles foi atingido no braço. Não faço ideia da gravidade dos restantes ferimentos, mas todos foram levados a clínica e constantemente ambulâncias saem a transportar feridos para o hospital, portanto deve ser grave."

O chefe do Conselho Militar de Transição do Sudão (TMC), o general Abdel-Fattah Burhan, acusou os manifestantes de quebrar um entendimento sobre a redução das tensões e de bloquear estradas fora da zona de protesto acordada com os militares.

Apelo à população

E num discurso transmitido pela televisão no início desta quinta-feira (16.05) dirigiu-se aos sudaneses: "Apelamos ao nosso grande povo pela sua segurança e para salvar os ganhos da revolução gloriosa para não arrastar o país para a anarquia e a perturbação da segurança que será difícil de controlar."

E o chefe do Conselho Militar de Transição anunciou ainda o seguinte: "Decidimos suspender as negociações por 72 horas até que a atmosfera apropriada esteja preparada para completar o acordo, removendo todas as barricadas e abrindo o caminho para apoiar as províncias que estão a sofrer com a escassez de petróleo e alimentos".

Apreciações diferentes sobre as negociações

Enquanto alguns dizem que as negociações estão a progredir na direção certa, outros reclamam que o processo não é transparente.

"Vamos manter o protesto pacífico, não vamos sair até alcançarmos as nossas exigências. Vamos monitorar o conselho legislativo e o Parlamento para ter certeza de que teremos os nossos direitos", diz um manifestante.

Outro descontente diz que "estas decisões só são emitidas no papel e para os meios de comunicação social, mas ainda não vimos nada de tangível no terreno."

O atual acordo entre os militares e os líderes dos manifestantes foi alcançado, após a morte de cinco pessoas alvejadas durante protestos na passada segunda-feira (13.05.).

Continuídade das negociações?

Apesar de negociações em curso, Philipp Jahn, diretor da fundação alemã Friedrich-Ebert em Cartum, entende que "a maioria dos manifestantes está, com certeza, satisfeita com o resultado alcançado. Os manifestantes que não estão satisfeitos, evidentemente, é por causa do papel do Conselho Militar."

E o diretor da Friedrich-Ebert menciona outro aspeto: "Ainda não sabemos exatamente como será estruturada a transição. E os manifestantes questionam: Como podemos decidir agora sobre um acordo, se ainda nem sequer esclarecemos o que realmente aconteceu na segunda-feira (13.05.)?"

E defende, entretanto, a continuação das negociações: "No meu ponto de vista, não é realmente possível parar agora o processo de negociação. A situação aqui é tão complicada, há tantos grupos armados, tantas dinâmicas, que o processo de entrega do poder deve continuar, mesmo sem se ter esclarecido todos os factos. Talvez isso seja algo para as futuras comissões.”

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