A PGR remeteu, em Março findo, ao tribunal judicial da cidade de Maputo, acusações contra 20 arguidos por indícios de prática de crime na operação de contração de dívidas ocultas.

Ainda não se sabe, pelo menos publicamente, quando é que o julgamento começa.

Algumas pessoas dizem que o debate, tanto político como económico, está a afastar-se do escândalo das dívidas ocultas, tendo em conta o aparente silêncio das autoridades, sobretudo a PGR, relativamente a esta questão.

“Este é um assunto muito delicado”, considera o político moçambicano, adiantando não ser conveniente abordá-lo nesta altura das eleições “em que a oposição usa a questão das dívidas ocultas como bandeira de combate ao Governo que levou o país ao descalabro”.

O analista Manuel Alves afirma também que o aparente silêncio das autoridades relativamente a este assunto pode ser uma estratégia para evitar convulsões em época eleitoral “porque a questão das dívidas ocultas mexe com a vida dos moçambicanos”.

E isso, afirma Raúl Domingos, justifica o facto de a PGR estar mais preocupada neste momento, em extraditar Manuel Chang para Moçambique e não com os outros processos.

Domingos acrescenta, por outro lado, haver um esforço para evitar que os moçambicanos saibam, efectivamente, o que aconteceu nesta questão das dívidas ocultas, “porque se nós soubermos, vamos ficar super-escandalizados e, eventualmente, a própria Frelimo pode desmoronar-se”.

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