"Moçambique praticamente não contribui para as alterações climáticas e para o aquecimento global, mas o país está na primeira linha das vítimas do aquecimento global. Isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio", afirmou António Guterres.

O secretário geral da ONU falava momentos após ter sido recebido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, no âmbito da visita de três dias que hoje iniciou a Moçambique.

Para Guterres, Moçambique, que se tenta recompor após a passagem de dois ciclones, precisa de mais apoios da comunidade internacional, que tem o dever de apoiar um país que, apesar de pouco contribuir para o aquecimento global e a poluição ambiental, sofre com as consequências.

"As Nações Unidas estiveram e estarão ao lado de Moçambique apoiando o país, naturalmente apelando a comunidade internacional para que apoie o país à escala da dimensão do problema", afirmou Guterres, acrescentando que o apelo humanitário das Nações Unidas foi de 282 milhões de dólares, mas "esteve longe de ser inteiramente cumprido"

Além de destacar que Moçambique precisa de mais apoios, o também antigo primeiro-ministro português pediu que os apoios sejam canalizados rapidamente, tendo em conta que o plano de reconstrução "resiliente" dos pontos afectados já foi lançado.

"É preciso apoiar a tempo", frisou Guterres, que aproveitou para "prestar homenagem ao Governo e ao povo moçambicanos pela resposta extraordinária" que foi dada, "numa situação extraordinariamente difícil".

Por seu turno, o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, destacou o apoio e solidariedade imediata das Nações Unidas na assistência às comunidades afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth, afirmando que "os moçambicanos agradecem".

"Quando foi anunciado o ciclone Idai, o secretário-geral foi a primeira pessoa que se juntou aos moçambicanos. Os apoios que os moçambicanos receberam foram o resultado dos pedidos que o secretário-geral fazia pessoalmente", afirmou o Presidente moçambicano, que estendeu o agradecimento a todos os países que apoiaram Moçambique e depois dos desastres naturais.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em Março, provocando 604 vítimas mortais e afectando cerca de 1,8 milhões de pessoas.

Pouco tempo depois, Moçambique voltou a ser atingido por um ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em Abril, matando 45 pessoas e afectando outras 250.000.

O orçamento total para a reconstrução após os dois ciclones é de 3,2 mil milhões de dólares, tendo o Governo moçambicano conseguido em maio durante a conferência internacional de doadores 1,2 mil milhões de dólares.

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