A manifestação convocada por populares da Região Autónoma são-tomense do Príncipe para “mostrar solidariedade com as famílias e homenagear as vítimas” do naufrágio da semana passada teve uma adesão “aquém das expectativas”, disse fonte da organização.

“Houve manifestação sim, não pudemos sair à rua à hora marcada e tivemos uma participação um pouco aquém das expectativas, por causa de muita chuva”, disse a Lusa Maria dos Prazeres, da organização.

Marcada inicialmente para as 09:00 locais (08:00 em Cabo Verdeboa) a manifestação só começou cerca duas horas depois, tendo percorrido as ruas da cidade de Santo António até à ponte do cais da cidade, onde foram deitados ao mar ramos de flores em homenagem as vítimas mortais e desaparecidos no naufrágio do navio Amfitriti, ocorrido na quinta-feira passada.

Do acidente foram resgatados com vida 55 passageiros, oito morreram e outros nove estão dados como desaparecidos.

A manifestação tinha inicialmente carácter de protesto, sobretudo contra o Governo central, mas os organizadores alteraram o seu objectivo.

“Essa manifestação de amanhã deixa de ser uma manifestação de protesto e passa a ser de solidariedade com as vítimas. Queremos dar tempo ao governo central para cumprir as promessas feitas na reunião realizada este sábado aqui na região autónoma do Príncipe”, explicou Maria dos Prazeres, em declarações aos jornalistas no domingo.

A mesma fonte garantiu, no entanto, que caso os governos central e regional “não façam nada” para evitar mais mortes na travessia entre as duas ilhas, os manifestantes são “sair à rua em protesto quantas vezes forem necessárias”.

Entretanto, a comunidade regional está a recolher assinaturas para um manifesto que diz ser “contra a marginalização do Príncipe” para ser entregue às autoridades governamentais.

O documento de cinco páginas, que a Lusa teve acesso, refere que, “nenhum cidadão compreende, sobretudo aqueles que vivem na ilha do
Príncipe […] que a adopção de medidas e decisões políticas do Governo central, com o objectivo de ligação inter-ilhas e diminuição de assimetrias em termos de desenvolvimento entre elas, seja, voluntária ou involuntariamente, sinónimo de morte, luto e frustração, periodicamente, configurando, consciente ou inconscientemente, um processo gradual e, aparentemente, sistemático”.

No manifesto acusa-se o Governo central de ser “responsável e politicamente imputável” por este e outros acidentes, sublinhando que estes naufrágios repetitivos estão a “semear a dor, sofrimento, luto, marginalização, periferização, angústia e frustração de uma comunidade inteira”.

A organização adianta que está a recolher as assinaturas para esse manifesto e, logo que o processo esteja concluído vai entrega-lo ao Governo, disse Maria dos Prazeres.

“Não nos podem pedir ou exigir, como membros desta comunidade regional, simultaneamente, diligências procedimentais e organizacionais que, eventualmente, poderão contribuir, paulatinamente, ao longo dos tempos, para a garantia do equilíbrio económico-financeiro regional e, consequentemente, dar uma resposta aos problemas sociais, prementes e futuros, de todos aqueles que cá vivem, de acordo com o estatuto político-administrativo da Região, dispensando, deste modo, apoios, ajudas ou iniciativas do governo central”, diz o manifesto.

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