A Comissão Nacional de Eleições anunciou esta quarta-feira (24/10) os resultados definitivos deste escrutínio, que confirmam os dados apurados pelas comissões distritais e atribuem vitória da Frelimo em 44 dos 53 conselhos autárquicos, incluindo nos 5 contestados pela Renamo, o maior partido da oposição que conquistou 8 municípios e o MDM mantém o da Beira.

A partir da serra da Gorongosa o Coordenador Nacional da Comissão Política da Renamo, Ossufo Momade, exige uma comissão de inquérito independente para averiguar o processo eleitoral nesses 5 municípios e apela à intervenção do Presidente Filipe Nyusi, para repor a verdade eleitoral.

Convidar o Presidente, mais uma vez, o chefe de Estado na sua qualidade de mais alto magistrado da Nação, para urgentemente pôr termo ao problema que afecta o nosso país, sob pena de cairmos no retrocesso das presentes negociações de paz, que estão a decorrer num ambiente de tréguas e entendimentos que nos levará a uma paz efectiva“.

Ossufo Momade reclama a reposição da justiça eleitoral “exigimos uma comissão de inquérito independente, que irá trazer a verdade eleitoral nos municípios de Monapo, Alto Molocué, Marromeu, Moatize e na cidade da Matola“.

Também esta quarta-feira (24/10) o mandatário da Renamo André Magibire, afirmou à agência Lusa que “o partido vai interromper provisoriamente as negociações de paz, para gerir o conflito eleitoral” e nesse mesmo dia o porta-voz da Renamo José Manteigas veio dizer que “estes reveses podem vir a influenciar de forma negativa o processo negocial“.

Já o Presidente do Movimento Democrático de Moçambique - MDM – Daviz Simango considera que o país não pode continuar a assistir fraudes eleitorais, organizadas pelos órgãos eleitorais a favor do partido no poder que, indiferente às criticas festeja a vitória anunciada nas eleições autárquicas de 10 de Outubro.

Moçambique tem eleições gerais agendadas para 15 de Outubro de 2019 e a 6 de Outubro o Presidente Filipe Nyusi anunciou o início do processo de Desmobilização, Desmilitarização e Reintegração do braço armado da Renamo, no âmbito das negociações em curso, cujo cronograma prevê que tudo  esteja concluído até Março de 2019.