"Não queremos misturar as coisas. Achamos por bem que devíamos parar e gerir o conflito eleitoral, porque neste escrutínio houve muita fraude e nós submetemos vários recursos", declarou o mandatário nacional da Renamo, André Majibire.

Em causa estão recursos que contestam os resultados de cinco municípios nas quintas eleições autárquicas de Moçambique, cujos resultados foram hoje confirmados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) dando vitória à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, em 44 municípios, a Renamo em oito e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em um.

A Renamo contesta os resultados das autarquias de Monapo, na província de Nampula, Alto Molocué, na província da Zambézia, Matola, na província de Maputo, Moatize, na província de Tete, e Marromeu, em Sofala.

"Não estamos a dizer que as negociações estão interrompidas definitivamente, mas neste momento nós estamos preocupados com o processo eleitoral. Queremo-nos concentrar primeiro na resolução destes conflitos eleitorais", acrescentou André Majibire, lembrando que as eleições tem sido sempre fonte de conflito no país.

O partido anunciou ainda que o coordenador interino da Renamo, Ossufo Momade, vai fazer uma declaração por teleconferência a partir da serra da Gorongosa na quinta-feira.

Entre 2014 e 2015, Moçambique registou um agravamento da tensão entre o Governo e a principal força de oposição, com o registo de confrontações militares que deixaram um número indeterminado de mortos, principalmente no centro do país, na sequência das revindicações da Renamo, que não aceitou os resultados das eleições gerais de 2014.

No passado dia 06 de outubro, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou o início do processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR) do braço armado da Renamo, no âmbito das negociações de paz em curso com o presidente interino do principal partido de oposição em Moçambique, Ossufo Momade.

O acto marcou a chegada de nove peritos militares internacionais liderados pelo general argentino Javier Antonio Pérez Aquino, 58 anos, cuja mais recente missão consistiu em supervisionar, para as Nações Unidas, o desarmamento de guerrilheiros na Colômbia.

O processo de DDR que agora arranca é a segunda parte de uma negociação que o Presidente moçambicano encetou no último ano com falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, após um cessar-fogo decretado por este em dezembro de 2016.

A primeira parte levou a um acordo sobre a descentralização do poder, consumada em maio com alterações à Constituição e consequente adaptação das leis eleitorais para o escrutínio de 10 de outubro.