"Nós não só desconhecemos este assunto como também condenamos este ataque", disse à Lusa Venâncio Mondlane, mandatário da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

A Polícia da República de Moçambique (PRM) acusou hoje, em conferência de imprensa, o braço armado da Renamo de ter protagonizado o ataque, que culminou com a morte de um agente no centro do país.

"Temos conhecimento que foram homens armados da Renamo que atacaram o posto policial de Metuchira [em Nhamatanda]", disse Paulique Ucacha, comandante provincial da PRM em Sofala.

Para Venâncio Mondlane, a polícia está a fazer acusações sem provas, furtando-se à responsabilidade de investigar e encontrar os "reais autores" dos ataques que têm ocorrido naquela região desde agosto.

"A polícia diz o que lhe é favorável quando não consegue investigar as coisas. Esta acusação nem faz sentido porque nós hoje mesmo estávamos a submeter um recurso, por meios legais, em protesto aos resultados eleitorais da votação de 15 de outubro", declarou o quadro do partido.

O ataque ocorreu pelas 04:50 (locais) na aldeia de Metuchira, no interior do distrito de Nhamatanda, quando o agente da polícia morto foi surpreendido pelo grupo armado, que assaltou o local, levando uma AK47 e o uniforme da vítima, segundo as autoridades.

Com este confronto, sobe para oito o número de mortos desde agosto devido a incursões armadas, primeiro contra veículos, mas que se têm intensificado e atingindo também alvos civis e das forças de defesa e segurança - aumentando também o raio de atuação.

O mesmo tipo de violência naquela região aconteceu em 2015, em período pós-eleitoral, quando Afonso Dhlakama (antigo líder da Renamo) rejeitou a vitória da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) mas negando o envolvimento nos confrontos.

A zona Centro do país foi historicamente reduto da Renamo e palco de confrontação armada com as forças governamentais até dezembro de 2016, altura em que as armas se calaram, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, alguns dos quais formaram uma autoproclamada Junta Militar para contestar a liderança da Renamo por Ossufo Momade e defender a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

O grupo de guerrilheiros liderado por Mariano Nhongo já ameaçou por mais que uma vez recorrer às armas caso não seja ouvido - mas, por sua vez, também se diz perseguido por outros elementos desconhecidos.

A violência armada protagonizada por grupos desconhecidos ocorre desde agosto nalguns distritos do centro de Moçambique, ao mesmo tempo que as forças de defesa e segurança do país lidam também com ataques armados em Cabo Delgado, mil quilómetros a norte.

Os confrontos em Cabo Delgado duram há dois anos, já fizeram cerca de 250 mortos, eclodiram em mesquitas radicalizadas e apesar de algumas ações serem reivindicadas pelo grupo ‘jihadista' Estado Islâmico, desconhecem-se os mentores das ações.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.