“Em termos estatutários, o presidente do partido é eleito em congresso”, referiu José Manteigas, porta-voz da Renamo, aos jornalistas, à margem do encontro, cujos trabalhos vão continuar na sexta-feira.

José Manteigas admitiu, contudo, que o órgão possa já tratar da "sucessão de poderes" do presidente, mas sem indicar detalhes.

A decisão deverá ser tomada no segundo dia da sexta sessão ordinária do Conselho Nacional da Renamo, que decorre nas encostas da serra da Gorongosa, próximo da base do partido onde há seis meses morreu Afonso Dhlakama.

A Renamo é actualmente conduzida por um coordenador interino, Ossufo Momade, indicado numa sessão extraordinária do órgão, em maio.

A reunião que hoje começou deverá igualmente pronunciar-se sobre outras directrizes para o futuro do partido e sobre a situação sociopolítica do país face às eleições gerais marcadas para outubro de 2019.

Ossufo Momade referiu no início dos trabalhos de hoje que, estando ainda a decorrer o período de tréguas, declarado unilateralmente há dois anos por Afonso Dhlakama, o partido continua comprometido com a reconciliação e manutenção da paz.

"Continuamos com o legado do nosso presidente e, por isso, estamos aqui", precisou Ossufo Momade, acrescentando algumas ressalvas.

"Não aceitamos que a Frelimo possa enganar os moçambicanos e a comunidade internacional" declarando que "quer a paz, enquanto está numa manifesta [acção de] diversão e distração política", numa alusão aos indícios de irregularidades apontadas pela Renamo nas eleições autárquicas realizadas em 10 de Outubro.

Na votação, a Frelimo conquistou 44 municípios, cabendo oito à Renamo e um ao MDM.

Além dos 100 membros do Conselho Nacional da Renamo, foram convidados para a reunião, Elias Dhlakama, irmão do ex-líder, e Benjamim Matsangaisse, parente de André Matsangaisse, fundador do partido.