Os 160 militantes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) foram apresentados numa cerimónia pública no fim de semana no posto administrativo de Dombe, província de Manica, centro de Moçambique.

O ato foi dirigido pelo primeiro secretário do Comité Provincial da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Tomás Chithlango.

Em declarações hoje à Lusa, o porta-voz da Renamo, José Manteigas, considerou a ação contrária ao pluralismo político, acusando o partido no poder de implementar uma estratégia de fragilização da oposição.

"É contraproducente esse tipo de ação, porque é uma forma de matar o pluralismo político, através da fragilização da oposição", disse José Manteigas.

O porta-voz do principal partido da oposição classificou como estranha a desfiliação de militantes do partido e sua militância no partido no poder, numa altura em que Renamo e Governo da Frelimo estão envolvidos na implementação do Acordo de Paz e Reconciliação Pública.

"Não deixa de ser estranho observar esse tipo de acontecimentos, quando a prioridade deve ser a paz e reconciliação nacional", destacou José Manteigas.

A apresentação pública de militantes de partidos a declararem a adesão a formações políticas adversárias é normal em períodos de campanha eleitoral em Moçambique, mas não é comum fora dos processos eleitorais.

O porta-voz da Renamo adiantou que, oficialmente, os referidos membros que deixaram o partido não comunicaram a sua decisão à organização.

O líder da Renamo, Ossufo Momade, e o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, assinaram em 06 de agosto de 2019 o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, prevendo o desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) do braço armado do principal partido da oposição.

Depois de um arranque simbólico no ano passado, o DDR esteve paralisado durante vários meses, tendo sido retomado a 04 de junho e vai envolver 5.000 membros do braço armado da Renamo.

Desde então já foram abrangidos 38 ex-guerrilheiros em Savane, 251 ex-guerrilheiros em Chibabava e outros 303 em Dondo, na província de Sofala, centro do país.

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