A Renamo, principal partido de oposição em Moçambique, acusou a polícia de invadir duas residências do seu líder e a sede da organização em Maputo, mas as autoridades moçambicanas dizem que a acção visava a apreensão de material bélico.

“Nós fomos surpreendidos com invasão e arrombamento de duas residências do presidente [Afonso Dhlakama] e da sede do Partido em Maputo”, sustenta a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) em comunicado, indicando que as autoridades moçambicanas detiveram dois guardas e apreenderam 20 armas.

Em declarações citadas pelo diário País, na sua página de internet, o comandante da Polícia da República de Moçambique, Júlio Jane, disse, no entanto, que a operação visava apenas a apreensão do material bélico e resultou apenas na apreensão de 47 armas de fogo, além de pedras preciosas, munições e fardamento militar do partido de Afonso Dhlakama.

Esta versão é, no entanto, contrariada pelo comunicado da Renamo, que indica que na residência oficial de Afonso Dhlakama, onde vive a sua família, a polícia moçambicana apreendeu 20 armas do tipo AK-47 e tedeve dois guardas.

De acordo com o comunicado, durante a sua operação numa outra residência de Afonso Dhlakama, a polícia moçambicana apreendeu 85.500 meticais para compra de víveres e na sede do partido, localizada no centro da capital, foi confiscado cerca de duzentos mil meticais, um computador e duas armas do tipo AK -47.

“É do conhecimento de todo o povo moçambicano e da comunidade internacional que essas armas estavam naquela casa do presidente da Renamo desde outubro de 1993”, no âmbito dos acordos de paz, lê-se ainda no documento, que questiona as razões que levam a "Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder] e seu Governo a levar estas as armas".

Na versão da Polícia moçambicana, a operação, que durou cerca de uma hora e em que “não foi usada nenhuma força”, resultou de denúncias de munícipes e as autoridades notificaram os guardas que se encontravam nos locais.

O comandante da polícia disse ainda que algumas armas apreendidas durante a operação foram disparadas há um mês e as autoridades moçambicanas vão abrir um processo para apurar as circunstâncias em que aquele material foi usado.

“É preciso investigar o caso”, declarou o comandante, avançando que as munições já foram enviadas ao laboratório.

Entre os fardamentos aprendidos, prosseguiu o comandante da PRM, foram encontrados uniformes das Forças Armados de Defesa de Moçambique (FADM).

A Renamo, em seu comunicado, sustenta diz que o seu líder vai reagir apenas politicamente, recordando que a guerra civil no país terminou há 24 anos, com a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992.

A crise política em Moçambique agravou-se nas últimas semanas, com registo de vários ataques atribuídos ao braço armado do maior partido de oposição.

Além de uma vaga de refugiados para o Malawi, país vizinho, as confrontações entre forças de defesa e segurança e o braço armado maior partido de oposição já provocaram um número desconhecido de vítimas mortais.

A Renamo ameaça governar à força nas seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando o partido no poder, a Frelimo, de ter protagonizado uma fraude eleitoral no último escrutínio.

EYAC // PJA

Lusa