A Renamo, principal partido de oposição, acusou hoje a Frelimo, partido no poder, de ter dado ordens ao Conselho Constitucional (CC), para se limitar a validar os resultados das eleições gerais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições.

"Todos os juízes-conselheiros do Conselho Constitucional dançam a música da Frelimo. Não esperamos nada deste conselho. A Frelimo ordenou os juízes do Conselho Constitucional para lerem e confirmar o que a Comissão Nacional de Eleições foi ordenado a ler pela Frelimo", disse, em conferência de imprensa, o porta-voz da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), António Muchanga, sobre a divulgação na terça-feira do acórdão do CC sobre os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro.

O porta-voz da Renamo reiterou a exigência do partido de um governo de gestão como solução para a alegada fraude ocorrida nas eleições gerais, defendendo negociações para a superação da tensão gerada pela recusa do movimento em aceitar os resultados das eleições gerais.

"Já anunciamos publicamente que a solução para todos os problemas envolve negociações", declarou António Muchanga.

O porta-voz da Renamo acusou ainda a Frelimo de estar a enviar para as províncias "brigadas de intimidação", referindo-se às brigadas que o partido no poder anunciou fim-de-semana que vai mandar para as províncias para acompanharem a proclamação dos resultados das eleições gerais.

"Se a Frelimo estivesse segura de que ganhou as eleições, não estaria a multiplicar brigadas de intimidação, cantando glórias por todo o país", afirmou António Muchanga.

O CC moçambicano anunciou hoje em comunicado que vai divulgar terça-feira em Maputo o seu acórdão sobre a validação dos resultados das eleições gerais.

Em declarações domingo à Lusa, o presidente da Renamo afirmou que "validar os resultados quando toda a gente sabe que houve fraude é ofender a população e os partidos políticos.

"É procurar violência e desobediência", vincou.

Segundo o líder da Renamo, o CC tem "a oportunidade de ser imparcial e ter a coragem política de indicar os problemas e invalidar as eleições, sem cumprir ordens do Governo nem do Comité da Frelimo", para erradicar a "cultura de fraudes" em Moçambique.

Por seu turno, a Frelimo já anunciou que não vai permitir que a Renamo crie agitação, aludindo a ameaças de convocação de manifestações pelo principal partido da oposição contra os resultados do escrutínio.

Resultados do apuramento feito pela CNE dão a Frelimo e o seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, como vencedores do escrutínio, seguidos pela Renamo e Afonso Dhlakama e pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido, e seu líder Daviz Simango.

Lusa