“O conceito de reconstruir com resiliência (ou BBB, do inglês ‘build back better’) precisa de estudos, de engenharia”, ou seja, “não é algo que se possa fazer de maneira tão rápida”, nomeadamente num país com as necessidades de recursos de Moçambique, referiu, em entrevista, Myrta Kaulard, em entrevista.

Ainda assim, diz que “a partir de agora vai haver uma aceleração na reconstrução de casas e edifícios”.

A coordenadora falava depois de ter visitado os trabalhos de apoio à população já realizados e em curso.

Um ano depois, a maioria dos dois milhões de residentes afetados continua a viver em tendas, casas danificadas ou construídas de forma precária, mas aquela responsável considera que também há muito trabalho feito e que a melhoria do alojamento vai acontecer a seguir.

As escolas e centros de saúde também continuam por reparar e reconstruir de forma resiliente.

A ajuda alimentar, disponibilização de água potável ou a vacinação contra a cólera, foram apoios humanitários essenciais que chegaram a todos os afetados no último ano, destacou, graças a diversos apoios internacionais – além do apoio para a rápida reposição de estradas e eletricidade.

Outros programas apoiam a criação de novos projetos familiares nas 72 zonas de reassentamento da região Centro, em locais altos, livres de inundações e onde residem cerca de 100.000 pessoas – zonas que, pouco a pouco, se transformam em novas povoações definitivas.

Um total de 300 mil casas, a maioria de construção precária (caniço, barro e madeira) foram danificadas com os ciclones de 2019 e 140 mil famílias receberam um abrigo temporário, “uma tenda ou algo simples, mas foi uma ajuda”.

“A ideia é precisamente dar um alojamento a essas pessoas em casas mais resilientes aos ciclones”, algo que ainda não se concretizou.

“A partir do final deste ano o resultado concreto para as pessoas” vai ser visível “também em edifícios, em casas, em lugares mais dignos para as suas vidas”, sublinhou.

Questionada sobre se será possível acabar com quase todas as construções precárias, Myrta Kaulard admite: “daqui até final do ano não. Não vai ser possível”.

“Vamos precisar de vários anos. Isto é um problema muito grande, porque Moçambique está no meio da força dos eventos naturais”, na costa africana do Índico e sob “um ciclo muito rápido de eventos naturais”, com nove meses entre cada temporada ciclónica.

“Nove meses para poder reconstruir melhor é difícil. É um grande desafio. Precisamos de continuar com o apoio à população afetada, assim como precisamos de continuar a dar apoio às instituições para também criar mais capacidade de resiliência”.

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