Relatos da população descrevem um cenário de guerra e destruição de infraestruturas publicas e comércio, além da “paralisação total” da vida dos moradores durante o período de ocupação do grupo de jovens jihadistas, localmente conhecidos por al-shaabab.

“Hoje (domingo) de manhã as pessoas começaram a ir espreitar a vila. Esta tudo destruído”, contou à VOA um morador que se identificou por Salimo, descrevendo um misto de “choros e silêncio assustador” nos bairros.

Um outro morador, que junto com Salimo, procurava por familiares de que se separaram durante a fuga na quinta-feira, conta que alguns lugares da vila estão “irreconhecíveis”.

“O mercado principal está todo destruído, reduzido a cinzas. Tem muitas casas com perfurações de balas”, disse o morador, acrescentando que “não sabemos se há pessoas que morreram dentro destas casas”.

Até ao principio da tarde deste domingo continuava a haver pouca informação para avaliar os estragos da invasão a vila sede de Macomia, o principal centro urbano onde corta a estrada asfaltada que liga aos distritos mais a norte de Cabo Delegado e a vizinha Republica da Tanzânia.

Na sexta-feira, segundo várias fontes locais, os insurgentes teriam saqueado a agência bancária do BCI e sabotado as torres de telecomunicações e a subestação de Macomia, deixando sem comunicação e as escuras os distritos mais a norte de Cabo Delegado.

Entretanto, 35 crianças, de diferentes famílias, que fugiram dos ataques a vila de Macomia, chegaram a Pemba neste sábado e foram acolhidas numa escola do bairro Cariacó, nos arredores da baia.

Segundo relatam as crianças, que fugiram da invasão dos insurgentes, caminharam a pé durante dois dias pela mata até chegar a aldeia de Mitambo.

Desta aldeia voltaram a caminhar pela estrada até a aldeia Moja, quando foram socorridos por um condutor duma camionete para Pemba.

Um morador do bairro Cariacó, que avistou as crianças na manhã deste domingo, contou à VOA, que as crianças estavam “visivelmente traumatizadas” e que relataram terem visto um numero muito maior de insurgentes durante a invasão.

As autoridades estão a trabalhar na identificação das crianças, para posterior reencaminhamento das famílias.

As autoridades de Maputo, que combatem o grupo, descrito como parte do Estado Islâmico, ainda não se pronunciaram sobre o ataque

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