"Eu penso que um acordo de paz deve assentar fundamentalmente na boa-fé", afirmou Raul Domingos, em declarações ao diário O País, sobre o acordo de paz e reconciliação nacional que será assinado hoje em Maputo.

O Presidente da República , Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, assinam hoje o acordo de paz e reconciliação nacional para encerrar, formalmente, os confrontos militares entre as duas partes.

Raul Domingos, que ocupou vários cargos na guerrilha da Renamo e chefiou a delegação do partido às negociações que resultaram no acordo de 1992, defendeu que o novo entendimento só irá vingar se os signatários estiverem de "de boa-fé e coração aberto".

"Tudo aquilo que se assina tem que ser algo que se acredita que é possível implementar", acrescentou Raul Domingos, que foi expulso da Renamo, após as eleições gerais de 1999.

O Governo e a Renamo, prosseguiu, não devem assinar acordos de paz, porque "querem ganhar uma etapa ou atingir outros objetivos" diversos dos interesses da maioria moçambicana.

O acordo de paz e reconciliação nacional será o terceiro entre as duas, uma vez que, além do Acordo Geral de Paz de 1992, que acabou com uma guerra civil de 16 anos, assinaram a 05 de Setembro de 2014 o acordo de cessação das hostilidades militares, que terminou, formalmente, com meses de confrontação na sequência de diferendos sobre a lei eleitoral.

Após a assinatura do acordo de 2014, o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas voltaram a envolver-se em confrontos, na sequência da recusa do principal partido da oposição em reconhecer os resultados das eleições gerais de 2014.

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