Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936 na aldeia de Matalana, a sul de Moçambique. Aos 12 anos de idade foi para Maputo e começou a trabalhar num Clube de Ténis local, ao mesmo tempo que apostava na sua formação, frequentando aulas à noite, na Escola Comercial de Maputo.

Desde cedo que mostrou um grande talento no campo da pintura e da poesia  e em 1958 começou a frequentar as actividades do Núcleo de Arte, uma organização de artistas locais, onde teve contacto com o pintor Zé Júlio que lhe deu apoio material. No ano seguinte participou numa exposição colectiva intitulada " 1º Concurso de Artes Plásticas de Moçambique” onde deu a conhecer pela primeira vez o seu trabalho.

Obra do artista

A primeira exposição individual aconteceu em 1963, então com 25 anos de idade. Nesse mesmo ano a sua poesia foi publicada no jornal Black Orpheus e depois incluída na antologia “Poesia Moderna de África”.

Foi detido pela PIDE no ano seguinte e esteve preso durante 18 meses, por causa das suas ligações ao partido FRELIMO.

Em 1971 recebeu uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal para estudar Gravura e Cerâmica.  Terminado os estudos, regressou à Moçambique e começou a expor o seu trabalho tanto em Maputo (na altura, Lourenço Marques) como em Lisboa.

Em 1981 dedicou-se de corpo e alma a arte.

Entre as várias distinções que recebeu, destaque para a Medalha Nachingwea pela sua contribuição para a cultura de Moçambique.

Recebeu ainda o galardão  de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em Portugal e em 1997 foi nomeado Artista da Paz, pela UNESCO.

Expôs em Angola, Portugal, Índia, África do Sul, Nigéria, Chile e Zimbabué, e sua obra encontra-se em colecções espalhadas por Moçambique, Angola, Cabo Verde,  Bulgária, Nigéria, Suíça, E.U.A., Uruguai, Índia, Paquistão, Zimbabué e Portugal.

Executou várias obras de arte pública, incluindo murais para a FRELIMO e UNESCO e ainda o Monumento Paz e Amizade, da Cidade do Barreiro, em Portugal.

O seu trabalho em prol da arte não se esgota em quadros e murais. Impulsionou a criação de várias instituições culturais em Moçambique, como o Museu Nacional de Arte, o Centro de Estudos Culturais, o Centro de Artes, um centro de treinos de jovens artistas em Maputo. Foi ainda um dos fundadores do movimento moçambicano Paz e Amizade.

A  sua obra espelha uma visão arrojada da vida, onde há uma comunhão entre o homem, os animais e as plantas. Projecta a sua herança indígena, ao mesmo tempo que abraça símbolos da modernidade e do progresso, síntese da arte e da política.

De entre os vários locais públicos onde se pode encontrar a obra de Malangatana, destaca-se o Museu Nacional de Arte de Moçambique, o Museu de Arte Contemporânea e o Centro de Arte Moderna em Lisboa, o National Gallery of Contemporary Art em Nova Deli, Índia, o National Art Gallery em Harare, Zimbabué, para não falar em colecções privadas da obra do mestre Moçambicano.

A última exposição individual foi na Galeria Pinho Dinis, em Coimbra, no ano passado.

Fotos da Inauguração do Monumento Paz e Amizade, no Barreiro, Portugal

Entrevista a Malangatana sobre o Monumento Paz e Amizade 

Malangatana, o artista multifacetado

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